Espaço criado em Caratinga (MG) para realizações de eventos culturais. Mantém o acervo da vida e obra do filho ilustre da cidade. Consta ainda galerias homenageando aos demais conterrâneos que são celebridades nacionais como os jornalistas Ruy Castro e Miriam Leitão e o cantor Agnaldo Timóteo dentre tantos outros. O Salão Internacional de Humor de Caratinga e a Gibiteca "Turma do Pererê", também fazem parte do complexo. Idealizada pelo cartunista Edra: "Tudo que é real, foi um sonho um dia".
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
1ª Exposição Regional da Agricultura Familiar
| Casa Ziraldo de Cultura - Dia 19/09/2014 |
A 1ª Exposição Regional da Agricultura Familia , promovida pela RELBA (Rede Leste de Bancos de Alimentos) em Caratinga, durante o encontro de Bancos de Alimentos em Caratinga. “Contamos com o apoio dos nove membros titulares da Rede Leste para a realização da mostra”, explicou a diretora de Abastecimento da Secretaria de Agronegócios da Prefeitura de Caratinga, Ilahene Maria Batista, que participou da montagem da mostra. “Em nome da Prefeitura de Caratinga e da Secretaria de Agronegócios agradeço a participação de todos.
Em especial agradecemos à secretária de Agricultura do município de Entre Folhas, Giovania Santos, que colaborou para que realizássemos um belo trabalho de decoração na Casa Ziraldo de Cultura, preparando esta bonita exposição de alimentos e produtos agrícolas”.
Eunice Margarida de Souza Vieira, de 39 anos é presidente da Associação de Produtores Rurais do Córrego do Alto Laje e participou apresentando produtos que cultiva e peças de artesanato que produz. “Trouxemos uma mostra de verduras que roduzimos e que vendemos ao PAA e também trouxemos as bonecas de bucha vegetal e de fibra de bananeira que confecciono para decoração.
Estou muito satisfeita por ter sido convidada a participar. As peças artesanais estão sendo bastante elogiadas. Este encontro em Caratinga está sendo um grande sucesso”.
Vera Lúcia Soares Gusmão de Oliveira, de 63 anos, é moradora do Córrego do Rio Claro, no distrito de Santa Luzia participou da exposição apresentando os doces caseiros que produz. “Quando comecei precisei pegar uma panela emprestada para fazer o doce de banana, mas não deixei as dificuldades me vencer. Continuei firme, participei de cursos e graças a Deus hoje a produção de doces nos dá um bom rendimento todos os meses”.
Ilahene agradeceu, também, aos parceiros. “Ao IBIO (Instituto Bio Atlântica) e à EMATER- MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais) e às associações rurais, que são nossos parceiros na Prefeitura e na RELBA, agradecemos pelo empenho na organização deste evento".
| Ana Bastos, Ilahene Maria Batista e Giovania Santos |
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Focando o Eleitor do "Primeiro Voto", Casa Ziraldo Abre Exposição "O ABC do Voto Consciente"
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| Prefeito Marco Antônio visita a exposição |
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| Alguns membros do MAC - Movimento Amigos de Caratinga |
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| Eugênio Maria Gomes, um dos autores da "Cartilha do Eleitor" |
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| O foco da exposição é o futuro eleitor |
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| Cartunista Edra, idealizou e ilustrou toda a mostra e uma paralela com charges com o tema "eleições" |
Mostra traz a Cartilha do Eleitor, destinada aos jovens eleitores e fica aberta ao público até o dia 31 de outubro
Está em exposição da Casa Ziraldo de Cultura a mostra ‘O ABC do Voto Consciente’. A exposição foi aberta na noite de terça-feira (16) e apresenta ao público, por meio de banners, a ‘Cartilha do Eleitor’.
A Cartilha é de autoria de Eugênio Maria Gomes e Marilene Godinho e tem ilustrações do cartunista Edra.
A obra possui 60 páginas e traz a mascote ‘Palmeirinha’ do MAC (Movimento Amigos de Caratinga) que, de forma irreverente, orienta o Eleitor a escolher de forma crítica os seus candidatos. “A ideia de transformar a Cartilha em exposição é para reavivar o seu conteúdo na mente dos eleitores que já a conheceram em 2011. A exposição busca despertar, principalmente nos jovens, o interesse por política”, explica Edra.
Vitória Santos Faria, de 9 anos, ainda não vota mas fez questão de conferir de perto a exposição. “Gostei muito dos banners porque os desenhos são muito divertidos e criativos. Vou contar para os meus colegas na escola que visitei uma exposição de charges, que foi muito legal e que fui entrevistada por um repórter de jornal. Eu ainda não posso votar, mas vou falar para meu irmão vir aqui antes das eleições porque ele é mais velho e acho que ele já pode votar”, disse.
Um dos autores da Cartilha, professor Eugênio Maria Gomes, fala sobre o processo de criação da obra. “A Cartilha surgiu a partir de um artigo que publiquei no jornal Diário de Caratinga. Então, os membros do MAC comentaram em reuniões e foi surgindo a ideia de transformar aquelas dicas do artigo em uma cartilha. Convidamos a Marilene Godinho e todos os amigos do MAC colaboraram com dicas e conseguimos lançar a primeira edição de 10 mil exemplares que foram distribuídos gratuitamente nas escolas e na cidade em 2011. A nossa cartilha lançada aqui em Caratinga recebeu a nossa autorização e foi publicada, também, em Volta Redonda, em São José dos Campos e em Friburgo”.
O cirurgião dentista Nilton Ruste de Carvalho Junior participou da abertura da exposição. “Acompanho o trabalho do Edra há vários anos e procuro colaborar patrocinando suas exposições. Fui procurado para patrocinar um banner e aceitei o convite com muita honra. Hoje vim verificar como ficou a montagem dos trabalhos e gostaria de parabenizar, mais uma vez ao artista. A exposição está muito bem feita, aliás, como todas que o artista Edra realiza para orgulho de Caratinga”.
Charges sobre as eleições
Paralelamente à exposição do ‘ABC do Voto Consciente’, está realizada uma exposição com a seleção de 100 charges sobre as Eleições, publicadas no jornal Diário de Caratinga durante a última década (coletânea), de autoria de Edra.
A exposição fica aberta ao público até o dia 31 de outubro. Depois da exibição na Casa Ziraldo de Cultura, a mostra terá caráter itinerante, começando pelo Casarão das Artes dando sequência pelas escolas da cidade e região.
Casa Ziraldo de Cultura
Funcionamento: Segunda à sexta-feira, de 9h às 11h e de 13h às 18h.
Endereço: Avenida Benedito Valadares, Centro.
Escolas poderão agendar visitas de alunos pelo telefone (33) 3322-1825
"O ABC do Voto Consciente". Exposição é Aberta ao Público na Casa Ziraldo de Cultura
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| Exposição "O ABC do Voto Consciente" na Casa Ziraldo de Cultura |
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| O evento fica em cartaz até 31 de outubro. |
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| Uma exposição prática e didática para o futuro eleitor |
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| O abecedário foi confeccionado em banners |
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| A exposição foi extraída da "Cartilha do Eleitor" |
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| Os autores são: Eugênio Maria Gomes e Marilene Godinho. |
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| Com ilustrações do cartunista Edra, que idealizou a mostra |
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| No clima das eleições e com foco do eleitor do primeiro voto. |
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Exposição "O ABC do Voto Consciente"
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| A exposição fica em cartaz até do dia 31 de outubro, depois seguirá itinerante nas escolas da cidade |
Com a proximidade das Eleições, a Casa Ziraldo de Cultura, com o apoio da Prefeitura de Caratinga, realiza a exposição ‘O ABC do voto consciente’.
A exposição será aberta na noite de terça-feira, 16, às 20h, e apresenta a ‘Cartilha do Eleitor’ de autoria de Eugênio Maria Gomes e Marilene Godinho.
A cartilha é ilustrada pelo cartunista Edra e será reproduzida na íntegra em forma de banners.
"Com a proximidade das eleições, o foco são os eleitores que vão votar pela primeira vez e os jovens de 14 anos que, daqui a dois anos, estarão votando para prefeito e vereador, por isso achei pertinente fazer esta exposição abordando este tema”, explica o diretor da Casa Ziraldo de Cultura, Edra.
"Precisamos dar subsídios aos eleitores para que sejam mais conscientes e saibam da importância do seu voto, da escolha criteriosa de seus candidatos. Só assim, poderemos ter políticos sintonizados com os nossos anseios e capacitados para postularem cargos públicos, que são fundamentais para o crescimento de nosso país. Precisamos formar uma nova geração de eleitores esclarecidos”, completa.
Em paralelo será realizada uma exposição paralela com charges e cerca de 100 desenhos com o tema ‘Eleições’ da autoria de Edra.
Depois da exibição na Casa Ziraldo de Cultura, a mostra terá caráter itinerante, começando pelo Casarão das Artes dando sequência pelas escolas da cidade e região.
Casa Ziraldo de Cultura
Horário de funcionamento:
Segunda à sexta-feira, de 9h às 11h e de 13h às 18h.
Endereço: Avenida Benedito Valadares, 15 - Centro.
Escolas poderão agendar visitas de alunos pelo telefone (33) 3322-1825
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Morre Ziralzi, irmão do Escritor Ziraldo
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| Ziraldo e o irmão Ziralzi, em Ilha Grande, janeiro deste ano. |
Morreu às 9h deste domingo (7), no Rio de Janeiro, Ziralzi Alves Pinto, irmão do escritor e cartunista Ziraldo. Segundo parentes, ele tinha 81 anos e morreu em casa, na Fonte da Saudade, na Lagoa, Zona Sul do Rio, de insuficiência respiratória.
Ex-assessor da presidência da Casa da Moeda, estava de licença médica e se recuperava de dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Ziralzi era o segundo de sete irmãos, mais novo apenas que Ziraldo, de 82 anos. Os irmãos nasceram em Caratinga, Minas Gerais.
"Ele é o meu amigo mais antigo. Eu tenho 82 anos, ele tem 81. Nasceu um ano depois de mim. É uma perda muito forte porque nós nunca deixamos de estar juntos. É uma relação muito forte. Eu sou irmão mais velho e, em geral, o segundo tem problemas com o primogênito. Ele passou a vida inteira orgulhoso de ser meu irmão. Ele fazia uma propaganda por ser meu irmão", contou Ziraldo.
O enterro será às 13h desta segunda-feira (7), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul.
Segundo Ziraldo, o irmão estava "muito deprimido" após ser destituído do cargo que ocupava na Casa da Moeda, em Brasília. "Ele voltou para o Rio, ficou muito deprimido, triste, perdeu a vontade de conversar com a gente. Foi muito triste o final da vida dele. Tristeza e desgosto são muito presentes no AVC", disse o cartunista.
Após deixar a UTI, Ziralzi se recuperava bem em casa, de acordo com o irmão. "Estava tudo dando certo. Ele estava paciente, com uma paciência infinita pela situação dele. Não pudemos fazer nada (...) Botei a mão nele e ele estava quente. Balancei a cabeça dele e ele não falou nada. Estava morto", lamentou o escritor.
Nas redes sociais, o filho de Ziralzi, André Pinto, escreveu uma mensagem para se despedir do pai. "Meu pai. Pra sempre. Eternamente."
Em nota, a Casa da Moeda do Brasil diz lamentar profundamente a morte do assessor especial da presidência e "se solidariza com a família". "Ziralzi foi um grande exemplo de dedicação ao trabalho nos anos em que esteve na empresa.”
Fonte: G1
Fonte: G1
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Ziraldo - Entrevista Revista Isto É
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| Ziraldo Alves Pinto |
Pintor, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor. Ziraldo Alves Pinto – cujo nome é a combinação do apelido da mãe, Zizinha, com o nome do pai, Geraldo – completa 82 anos em outubro, mas nem de longe lembra um cansado octogenário às vésperas da aposentadoria. “Estou com uma disposição de cão”, diz ele, um dos maiores nomes da literatura infantil brasileira, recordista de vendas de um único título, “O Menino Maluquinho”, lançado em 1980 e com mais de três milhões de cópias vendidas.
Para as crianças, Ziraldo lança agora um livro sobre garotos de rua intitulado “Um Menino Chamado Raddysson e Mais os Meninos de Portinari”. A obra é ilustrada com fragmentos de quadros de Cândido Portinari (1903-1962) e o mural “Jogos Infantis”, também do pintor brasileiro. Ziraldo explica a escolha do nome de seu personagem, um menino que nasceu na barriga da miséria: “Quando a mãe bota um nome desses no filho, ela quer dizer: não quero que meu filho seja um “Zé” qualquer”.
ISTOÉ -
O sr. autografa muito em escolas. Encontra pequenos leitores?
ZIRALDO -
Visito escolas e não vejo crianças com livro na mão. O que vejo é professora mal paga que luta por salário. Não tem ditado na escola fundamental brasileira, não tem mais caderno de caligrafia. Ninguém substitui o dedo pelo botão. A mão vai durar muitos séculos ainda. A letra é fundamental para poder se conectar com o cérebro.
ISTOÉ -
Os livros não são valorizados?
ZIRALDO -
A família brasileira não dá livro de presente, dá CD. As pessoas têm que entender que quando você dá um livro de presente, dá um elogio junto. A sensação de quem recebe um livro é a de que a pessoa que deu confia nele e o acha inteligente. O livro é gênero de primeira necessidade e devia estar na cesta básica. É um alimento para a alma.
ISTOÉ -
Seus personagens sempre foram lúdicos. Por que resolveu escrever sobre meninos de rua?
ZIRALDO -
Há muito tempo queria fazer uma história sobre eles. Mas, para falar sobre criança, você tem que entender profundamente o sentimento do personagem. Os meninos que descrevi nas minhas histórias ou são meninos que eu fui ou com quem convivi. Sei como se sentem, como sofrem, como reagem ao mundo. Agora, como o menino de rua sofre, como é impactado pela vida, como se julga no meio em que está vivendo, eu não sabia. Recorri às minhas lembranças de quatro décadas atrás, quando morava em Copacabana (zona sul carioca) e observava os meninos de rua. Tive certo cuidado para fazer a história, para evitar uma coisa sentimentaloide, de carregar na infelicidade dele. Mas era um menino que eu queria colocar na minha coleção de meninos.
ISTO É -
E por que resolveu ilustrar com obras de Portinari, já que é ilustrador também?
ZIRALDO -
Porque uma das dificuldades que eu tinha era como ilustrar os meninos de rua. Afinal, fazer uma caricatura não ficaria bem. Mas, outro dia, fui ao prédio do Palácio Capanema, no Centro do Rio, e lá tem um mural do Cândido Portinari (1903-1962) que se chama “Jogos Infantis”. O menino é muito presente na obra de Portinari. E nos “Jogos Infantis” está lá o garoto de rua pulando o muro, correndo da polícia. Tudo na visão de Portinari. Aí, acabei achando um caminho para contar a história de um grupo de meninos, em que o personagem principal se chama Raddysson.
ISTOÉ -
Um menino de rua brasileiro com esse nome?
ZIRALDO -
É interessante. Você não encontra nas favelas ou nas periferias nenhuma criança chamada Pedro, Manoel, Antonio, Miguel. Nenhuma menina chamada Rita, Maria. É tudo Wadisson, Kellen, Raddysson, Riverson. Os nomes mais incríveis! E descobri que esses nomes são sinônimos da palavra esperança. Quando a mãe bota um nome desses no filho, ela quer dizer: não quero que meu filho seja um “Zé” qualquer. Os pais não sonham que o filho arrume um emprego. Eles têm um grande sonho: que a filha seja, por exemplo, uma musa do cinema. Daí a batizam de “Maynara Keller”.
ISTOÉ -
Alguma história real o inspirou?
ZIRALDO -
No livro, tem uma menina chamada Rosykeller. Ela se salva porque sabe e gosta de ler. A história da Rosykeller foi pinçada da realidade. É uma menina que está se formando em medicina, em Cuba. Uma ex-menina de rua. Aí inventei a história dessa menina, o que a levou a gostar de ler, quem a ajudou. E essas são as únicas esperanças verdadeiras para essas crianças. Elas só se salvam se forem boas de bola, como o Raddysson, se aparecer alguém que as ajude ou se souberem ler.
ISTOÉ -
O que acha do movimento pela redução da maioridade penal de 18 anos para 16?
ZIRALDO -
A sociedade não consegue proteger a criança. Não está organizada para lidar com o menor, e a saída mais fácil é reduzir a maioridade penal. Por outro lado, a informação que circula na sociedade é a de que o menino de 16 anos pode praticar crime porque é menor. Eles sabem que estão protegidos pela legislação. É um recurso que eles têm. A vida ofereceu para eles isso. É uma situação complexa. Na Inglaterra, quando se comprova que o menino tem discernimento do que é certo e errado, ele é tratado como adulto.
ISTOÉ -
Como chegar bem aos 80 anos?
ZIRALDO -
O segredo é trabalhar. Quando a vida oferece a oportunidade de viver fazendo o que gosta, é muito bom. O meu lazer é ficar aqui desenhando. Tenho tubo de tintas com 40 anos, meus pincéis têm mais de 50. Minha prancheta também tem mais de meio século. Não saio daqui (do estúdio na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio). Fico desenhando e guardando. Tenho uma pilha de desenhos. Mas a passagem do tempo também faz testemunhar a morte de muitos amigos. Uma vez cheguei ao cemitério São João Batista e o funcionário veio com essa: “Seu Ziraldo, o senhor está enterrando é gente, viu”? Todos os meus amigos que fizeram 80 anos antes de mim não chegaram aos 90. Acho que o único que está chegando é o Lan (caricaturista italiano, de 89 anos, radicado no Brasil). Millôr (Fernandes 1923-2012) ficou para trás, Chico Anysio (1931-2012), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), todos já foram. É difícil atravessar essa década, de 80 para 90. E o que vou fazer na vida com 90 anos? Somente ver a descendência se arrumando. Fora isso, é uma chatice. Agora, estou com disposição de cão. Mas não sei se com 90 anos terei essa mesma disposição.
ISTOÉ -
A morte o assusta?
ZIRALDO -
Não. Depois que a minha mulher morreu (Vilma Gontijo Alves Pinto, de infarto, em 2000. Hoje é casado com Márcia, sua prima), perdi completamente o medo de morrer. Nem questionar filosoficamente a morte me ocorre. Não acredito que algum ser humano tenha feito planos para viver até os 80 anos.
ISTOÉ -
O sr. fez planos para viver até que idade?
ZIRALDO -
Até 68 anos, quando entrava no século XXI: “Quero ficar vivo para ver o ano 2000. Isso me basta”, eu dizia. Esse plano era meu e da minha mulher. Mas ela morreu no final do ano 2000. E eu não tinha projeto nenhum para chegar a 2014. Agora, ficamos chocados com a morte de Eduardo Campos (1965-2014). Foi muito comovente a morte do Eduardo porque ele tinha uma cara de anjo, uma cara pura. Todo mundo que conviveu com ele tinha muito boa referência do jeitão doce e conciliador dele. E ele tinha uma coisa bonita: a família grande, cinco filhos.
ISTOÉ -
O que acha da candidatura Marina Silva à presidente em substituição a Campos (PSB)?
ZIRALDO -
Fiquei muito amigo da Marina quando ela apareceu. Sempre foi muito carinhosa comigo. Eu desejo muitas felicidades à Marina. Ela é um dos grandes nomes da nossa história.
ISTOÉ -
Alterou seu voto em função dela?
ZIRALDO -
Não. Sou muito amigo do Aécio Neves (senador, candidato à Presidência pelo PSDB). Era amigo e sofri muito com a morte do avô dele, o Tancredo Neves (1910-1985). Mas outro dia me perguntaram pela presidenta Dilma. Tenho muita admiração por ela, uma moça que chegou à Presidência da República. Ela não está brincando em serviço. Não há nenhuma acusação em que ela tenha usado mal o dinheiro público ou se metido em jogadas desse tipo. Acho que o governo do Lula (2003-2010) e o da Dilma deixaram de fingir que pensavam no povo e pensaram no povo de verdade. Então, eu gosto dessa coisa da Dilma. Eu amo a Dilma!
ISTOÉ -
Mas o sr. está com Dilma ou com Aécio?
ZIRALDO -
Vamos ver o que vai acontecer. Para mim vai ser divertido: se ganhar a Dilma, está bom. Se ganhar o Aécio, está bom. Estou em uma posição ótima. Tenho acesso aos dois. Voto é secreto. Vou ficar na moita. Já participei demais dessas coisas. Tem 50 anos que eu estou assinando manifesto, fazendo passeata, escondendo amigo nos aparelhos, sendo preso. Agora chega. Fui preso três vezes, passei mais de 100 dias na cadeia. Qualquer coisa que acontecia, mandavam prender a mim e ao (jornalista) Paulo Francis (1930-1997).
ISTOÉ -
A Comissão Nacional da Verdade tem ajudado a elucidar crimes desse passado sombrio?
ZIRALDO -
A luta do povo brasileiro avançou muito, mas não penalizamos devidamente os algozes do Brasil. Os argentinos já prenderam, condenaram e a gente fica com essa generosidade que joga contra. A Comissão da Verdade tinha que ter caráter punitivo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Os dez Amigos. Novo Livro de Ziraldo
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| Mais uma genial criação de Ziraldo |
Quem não adora as histórias do Ziraldo? Com texto e ilustrações de Ziraldo, OS DEZ AMIGOS narra de forma curiosa e genial a divertida trajetória de encontro entre os dez dedos das mãos.
De um lado os inseparáveis amigos: mínimo, anular, médio, indicador e polegar e do outro, os populares: mindinho, seu-vizinho, pai-de-todos, fura-bolos e o mata-piolhos.
Divirta-se com a história e brincadeiras interativas! - Levar o brincalhão dedo Mínimo ao ouvido e ver o som ficar abafado e baixo - Ajudar o Anular a se tornar um Rei, colocando o anel de ouro no dedo - Girar o iPad até encaixar o dedal na cabeça do dedo Médio, que sonha ser um guerreiro - Ouvir a gargalhada assustadora do Polegar, que prefere ser chamado de Dedão - Brincar com o Fura-bolos, arrastando o dedo sobre doces que caem na tela, e para a brincadeira não acabar, basta sacudir o iPad, que caem mais doces - Usar o Mata-piolhos em uma caçada divertida contra os piolhos que surgem na tela - Jogo de memória.
Uma experiência única de leitura enriquecida com animações, narração, trilha sonora original e muita interatividade.
OS DEZ AMIGOS para iPad é um livro que enche os olhos das crianças e também dos adultos que tiveram a infância vivenciada com as engraçadas histórias do Ziraldo.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Alunos Visitam Casa Ziraldo de Cultura Fazendo Trabalho de Pesquisa Sobre o Universo dos Cartuns
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| Alunos 5º ano da E.E.Menino Jesus de Praga vistam Casa Ziraldo de Cultura |
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| Atividade para conhecimentos sobre Cartuns, Charges, caricaturas e Quadrinhos |
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| Explicado pelo cartunista Edra, cujo trabalho será exposto na "5ª Feira do Saber", no dia 23/08/2014 realizado pela escola |
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| Alunos vistam a exposição e testam os seus conhecimentos. |
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Alunos "Escola Jairo Grossi" Visitam Exposição em Homenagem ao Ex Jogador Marcelo Alves
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
E.E. Menino Jesus de Praga Visita Exposição
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| Alunos posam com Marcelo Alves e o cartunista Edra |
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| Chegando na Casa Ziraldo de Cultura |
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| Ganhando autógrafos do cartunista Edra |
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| Alunos se aglomeravam nos stands de charges |
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| Atentos e curiosos com os desenhos |
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| Registraram tudo em fotografias |
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| Diretor da Casa Ziraldo de Cultura dá as boas vindas |
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| E fala sobre as atividades do espaço |
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| E apresenta ex jogador Marcelo Alves, que fala sobre sua trajetória no futebol. A exposição em sua homenagem vai até o dia 30 de agosto. |
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Casa Ziraldo Homenageia Ex Jogador de Caratinga que Entrou Para História do Botafogo
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| Exposição sobre o ex jogador Marcelo Alves vai até o dia 30 de agosto |
Marcelo Alves é homenageado em exposição
na Casa Ziraldo de Cultura
CARATINGA
– Fortaleza, 24 de setembro de 1995. Botafogo e Flamengo duelam pela nona rodada do Campeonato Brasileiro no gramado do Castelão. A partida é transmitida ao vivo pela Rede Globo. O Botafogo tinha bom time, mas vinha com uma campanha de altos e baixos. Derrotou Corinthians e Grêmio, mas tinha perdido para o Bragantino e empatado, em casa, com o Juventude. O Flamengo não vinha convencendo e considerou este jogo como sua arrancada. O ataque era formado por Sávio, Romário e Edmundo. Diante de 75 mil pessoas, Túlio Maravilha, aos 22min do primeiro tempo, fez 1 a 0 para o Botafogo. Gonçalves ampliou aos 13min da segunda etapa. Aos 41min do templo complementar, Edmundo diminuiu o placar, deu esperanças aos rubro- negros e o time da Gávea partiu para cima do Botafogo. Mas aos 46min, Túlio deixou de calcanhar, o meio- campista Marcelo Alves, camisa 15, que entrara no decorrer da partida, tirou do adversário e mandou a bola para o fundo das redes do goleiro Paulo César Borges. Final: Botafogo 3 x 1 Flamengo. Esse foi o passo mais importante para que a equipe de General Severiano ganhasse confiança e conquistasse o campeonato brasileiro daquele ano.
O caratinguense Marcelo Alves fez parte daquele grupo vencedor e entrou para a história do time da Estrela Solitária; história essa que é muito rica e tem nomes como Heleno de Freitas, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Gerson e Quarentinha.
Agora Caratinga homenageia Marcelo Alves. Sua trajetória futebolística esta sendo mostrada na Casa Ziraldo de Cultura na exposição ‘Marcelo Alves – O nosso campeão brasileiro’. “É uma grande honra ser homenageado em nossa terra. Ser reconhecido pelo trabalho que fiz. Agora estou revivendo tudo, como a alegria de ter jogado com grandes jogadores, caso de Bebeto, Túlio, Gonçalves, Wilson Gottardo e poder jogar em palcos como Maracanã e Morumbi. Foi um sonho de criança que pude realizar. Consegui jogar num grande clube, consegui títulos. Hoje sou lembrado nas redes sociais por esses feitos”, comenta o homenageado num tom de voz que mistura emoção e orgulho de um passado vencedor.
Marcelo Alves agradece ao Produtor Cultural Edra, diretor da Casa Ziraldo de Cultura não só pela homenagem, como também pelo resgate de muitos fatos ligados a história caratinguense. “É muito bacana o trabalho que o Edra esta fazendo à frente da Casa Ziraldo de Cultura, resgatando essa história. Já tem 19 anos que fui campeão brasileiro. Isso também serve também para informar o pessoal de Caratinga que, às vezes, nem sabe que tem um conterrâneo campeão brasileiro de futebol”.
DO TERREIRO DE CASA PARA O MARACA
Quando criança Marcelo Alves tinha o sonho de ser jogador de futebol. Ele jogava bola no terreiro de sua casa e imaginava ser um astro do futebol. “Todo menino faz isso. Na hora da pelada, diz que é o ídolo dele. Sempre sonhei em ser jogador de futebol profissional, só não esperava chegar aonde cheguei. Fui mais longe do que esperava”, revela Marcelo Alves. E o sonho começou a se tornar realidade em 1990, quando Carlinhos Careca, de Santa Rita de Minas, levou Marcelo Alves para fazer um teste no Democrata, de Governador Valadares. Quem assistiu este teste foi técnico Barbatana (N.E.: Nascido em Ponte Nova, João Lacerda Filho, o ‘Barbatana’, teve sua carreira ligada ao Atlético Mineiro. Em 1977, ele dirigiu o time que foi vice-campeão brasileiro). Marcelo Alves foi o destaque do teste. Quando acabou o treino, Barbatana falou para o diretor do Democrata: “vocês vão ficar com aquele garoto? Se não forem ficar com ele, vou levá-lo comigo. Ele tem nível pra jogar no Atlético ou no Cruzeiro”. Após ouvir essas palavras, o diretor do time valadarense tratou logo de pedir a documentação de Marcelo Alves e inscrevê-lo. Quando as portas se abriram, Marcelo Alves recorda que ficou receoso. A saudade da família poderia ser um problema. “Na hora surgiu àquela dúvida. Era longe de casa e tive certo receio. Acabei ficando e o Barbatana foi quem me apadrinhou. Joguei apenas um ano no júnior e depois subi para o profissional”, relembra Marcelo Alves.
No Democrata, Marcelo Alves foi quatro vezes campeão mineiro do interior. Sua estreia foi no Campeonato Mineiro de 1991 contra o Atlético Mineiro. Sergio Araújo marcou o gol do Galo, enquanto Marcelo Alves empatou a partida, anotando logo seu primeiro jogo oficial. Em 1995, jogando a Copa do Brasil pelo Democrata, Marcelo Alves despertou o interesse de um empresário que o levou para o Botafogo de Futebol e Regatas.
No time da Estrela Solitária, o caratinguense, além do Campeonato Brasileiro de 1995, ajudou o clube a vencer o Campeonato Carioca de 1997 e o Torneio Rio-São Paulo de 1998. O título internacional conquistado por Marcelo Alves foi em 1996, quando o Botafogo venceu o Troféu Teresa Herrera, disputado em Coruña, Espanha. Na final, a equipe brasileira derrotou, nos pênaltis, a poderosa Juventus de Turin, então campeã da Champions League, após um empate em 4 a 4 no tempo normal e prorrogação. Nesta partida, Marcelo Alves teve a oportunidade de jogar contra nomes renomados do futebol mundial, caso do francês Deschamps e dos italianos Del Piero e Vieri. Marcelo Alves conta como foi sua chegada ao Botafogo. “O Paulo Autuori estava assumindo o Botafogo. Ele reuniu o grupo e colocou o objetivo de ser campeão brasileiro. Estava montando o time para esse feito. Donizete Pantera e Gonçalves chegaram na mesma época. Então criou-se uma família visando o título de campeão brasileiro”, pondera. Para Marcelo Alves, não tem como esquecer o 24 de setembro de 1995. Ele classifica o jogo contra o Flamengo como crucial para a conquista alvinegra. “Este jogo foi inesquecível pra mim. Vencemos a partida e ganhamos convencendo. Então, o treinador Paulo Autuori pegou aquele jogo como parâmetro para darmos sequência ao campeonato. O time cresceu, o conjunto ficou mais forte e culminou com a gente levantando o troféu de campeão”. Após 27 jogos, com 14 vitórias, nove empates e quatro derrotas, no dia 17 de dezembro de 1995, o Botafogo de Futebol e Regatas sagrou-se campeão brasileiro diante do Santos.
Em 1999, Marcelo Alves foi emprestado ao Joinville. Depois jogou no ABC de Natal (2000), Brasiliense (2001) e Olaria (2002 e 2003).
Ele também defendeu o Sampaio Corrêa. Após contusões que prejudicaram o seu desempenho em campo, Marcelo Alves deixou os gramados.
VIDA APÓS O FUTEBOL
O ex-jogador e, hoje, comentarista Paulo Roberto Falcão disse que “o jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar”. Marcelo Alves concorda com Falcão e conta como foi sua experiência ao findar a carreira de jogador de futebol profissional. “É uma declaração feliz. Ficamos meio blindados no mundo do futebol, pois temos uma vida com certa fartura e não nos preparamos para podermos encerrar a carreira. Nossa vida profissional vai seguindo e deixamos nos levar. Então, não percebemos que tá chegando o final da carreira. Muitas vezes ouvimos: ‘isso não dura pra sempre’, mas não nos preparamos. Então, quando encerramos a carreira, finda um ciclo, pensamos: acabou, morreu”, relata o ex-jogador. Para não sentir saudades dos gramados, Marcelo Alves ficou três anos sem ir aos estádios. Foi uma espécie de ‘desintoxicação’. “Tive que fazer isso para poder voltar à vida normal. Existem casos onde jogadores, após encerrar a carreira, tem depressão ou entram no alcoolismo e nas drogas. Temos que aproveitar nosso tempo. A idade chega pra todos. Acho que dos 32 anos pra frente, o jogador deve se preparar, porque ali começa o final de sua carreira”, aconselha Marcelo Alves.
Hoje Marcelo Alves mora em Caratinga, onde é comerciante. No livro Bem-Vindo ao Clube (2001), lançado no Brasil pela Editora Record, o autor inglês Jonathan Coe escreveu: “Imagino se toda existência pode ser mesmo destilada até restarem alguns poucos momentos extraordinários, talvez seis ou sete deles, concedidos a nós durante a vida inteira”.
Pelo jeito Marcelo Alves teve mais sorte do que a maioria dos mortais, ele tem vários ‘momentos que valem uma vida’. Mais do que isso, ele entrou para história de um time e sua apaixonada torcida. Isso é para poucos.
Texto: Horta / Fotos: Wilson Martins
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| Marcelo Alves é o tema central da exposição |
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| Cartunista Edra com o homenageado e ex craque do Botafogo |
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