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sexta-feira, 4 de abril de 2025

BH a Pé' Lança Passeio ‘BH Maluquinha’ em Homenagem a Ziraldo



 

    Novo roteiro a pé por Belo Horizonte leva visitantes aos locais onde 'Menino Maluquinho - O filme' foi gravado Dirigido por Helvécio Ratton e inspirado no clássico de Ziraldo, longa completa 30 anos de lançamento em 2025 
     A Lagoa da Pampulha e seu conjunto arquitetônico, as delícias do Mercado Central, a Praça da Liberdade e seus museus... A lista de atrativos de Belo Horizonte é longa e variada, mas a capital de Minas Gerais sempre reserva surpresas fora do roteiro tradicional para quem se dispõe a subir e descer suas ladeiras. Como uma rua bucólica que parece parada no tempo e um “tobogã” em plena avenida principal da cidade. São lugares como estes que fazem parte do roteiro “BH Maluquinha”, que leva os visitantes a lugares que serviram de locação para “Menino Maluquinho — O filme”, cujo lançamento completa 30 anos em 2025. Realizado pela BH a Pé, uma empresa especializada em caminhadas guiadas temáticas pela cidade, o tour terá sua edição inaugural no próximo sábado, 5 de abril. A data foi escolhida por ser a véspera do primeiro aniversário de morte de Ziraldo, autor do clássico da literatura infantil em que foi baseado o longa de Helvécio Ratton. 
     — Esse filme marcou a minha infância, desde o momento das filmagens, que eu acompanhei com uns 8 anos — conta Rafael Sette Câmara, jornalista e escritor que idealizou o roteiro e criou a BH a Pé em 2020, ao lado da mulher, a também jornalista Luísa Dalcin. “BH Maluquinha” será o oitavo roteiro oferecido pela empresa, e haverá ao menos uma saída mensal. O preço será de R$ 75 por pessoa e os ingressos pode ser comprados pela plataforma Sympla ou pelos contatos na página do Instagram (@caminhadasbh). Há passeios como o que segue os passos dos escritores mineiros Fernando Sabino, Pedro Nava e Carlos Drummond de Andrade por BH, outro que explora os mercados Central e Novo, e até um inspirado no Clube da Esquina, com direito a cantora acompanhando o grupo e seis horas de duração. 
    O roteiro “BH Maluquinha” é bem mais curto, não passa muito de duas horas de duração, garante Sette Câmara. Durante todo o trajeto, o casal conta as histórias da produção, relembra cenas, lê trechos de “O Menino Maluquinho” e fala sobre a importância de Ziraldo para a cultura brasileira. 
    — As filmagens ocorreram em diversas regiões da cidade. Mas, como a nossa ideia é fazer tudo a pé, escolhemos focar na região Centro-Sul — conta Sette Câmara, lembrando de lugares que ficaram de fora, como a Lagoa da Pampulha, o Parque do Papa, a chocolateria Lalka, no Centro, e, claro, Tiradentes, onde foram filmadas as cenas das férias de Maluquinho na casa do avô. 
     O ponto de encontro é às 9h, na Praça Milton . De lá a primeira parada, após uma caminhada de cinco minutos pelo bairro Serra, é o Colégio Sagrado Coração de Maria. O imponente prédio, de 1930, aparece em diversas cenas do filme e até suas grades são reconhecíveis pelos fãs da produção. 
    Mais uma caminhada leva o grupo ao local de uma das cenas mais emblemáticas do filme, o Tobogã da Contorno. Esse é o apelido dado a um trecho da Avenida do Contorno, na altura da região da Savassi. Nesse conhecido declive de Belo Horizonte foi filmada a cena em que Maluquinho, Bocão, Julieta e outros amigos descem a ladeira a bordo de carrinhos de rolimã, ao som da canção “Menino Maluquinho”, de Milton Nascimento — uma atividade lúdica demais para o trânsito pesado da vida real.
    A Rua Fernandes Tourinho, na Savassi, é outra parada do grupo, que verá o local onde ficava a livraria onde a mãe de protagonista, interpretada por Patrícia Pillar, trabalhava. O itinerário segue para o bairro vizinho de Santo Antônio, onde foram filmadas muitas cenas do longa. Algumas locações já estão bem diferentes, vítimas do passar do tempo — aquele que nem o goleiro Maluquinho conseguiu agarrar, como contou Ziraldo em seu livro. É o caso do lugar da brincadeira do "pau de melado", um dos momentos mais lembrados do filme de 1995. 
     As filmagens aconteceram em frente a um terreno vazio, na esquina das ruas Nunes Vieira e Mar de Espanha. A grade, que permitia ver os prédios da cidade ao fundo, foi substituída por um muro, e o lote ganhou um prédio de quase 20 andares, bloqueando de vez a paisagem. 
     Por sorte, o cenário mais emblemático do filme segue quase do mesmo jeito. Ponto final do roteiro, a Rua Congonhas, também em Santo Antônio, foi a escolhida pelo diretor para representar o endereço da casa de Maluquinho e o palco de boa parte das brincadeiras de rua com seus amigos. 
     O trecho entre as ruas Leopoldina e Santo Antônio do Monte ainda preserva 13 casas de 1924, que fazem parecer que o lugar ficou parado no tempo, algo ideal para uma locação que precisava emular a Belo Horizonte dos anos 1960, como a retratada no longa. Depois de anos abandonado e até com risco de desabamento, este pequeno conjunto arquitetônico foi recuperado por uma construtora, que ergueu um condomínio no terreno de trás. Neste ponto, Sette Câmara lê para o grupo trechos de textos de escritores mineiros, como Fernando Sabino, Henriqueta Lisboa e Conceição Evaristo, que falam sobre a infância, e amarra tudo com palavras de um ilustre morador daquele quarteirão. 
     — Guimarães Rosa morou numa dessas casas, e aproveitei esse fato histórico para buscar um trecho do livro “Manuelzão e Minguilim”, em que ele fala sobre a infância e o processo do crescimento, que é o mesmo assunto de que “O Menino Maluquinho” também trata, à sua maneira — diz.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Teatro Terapia: "O Menino Maluquinho"



 Teatro Terapia"O Menino Maluquinho"
Com Mário Luiz - Direção: Ana Paula
1º Circuito Literário "Ziraldo Alves Pinto"






















MENINOS MALUQUINHOS POR UM DIA - A noite de ontem foi coroada com a apresentação teatral "O Menino Maluquinho", na Casa Ziraldo de Cultura, com atuação maravilhosa de Márcio Luiz, sob Direção de Ana Paula Faustino.
O evento faz parte da programação do 1º Circuito Literário "Ziraldo Alves Pinto".

Recordando - Meninos Maluquinhos Por Um Dia


Eliseu Bomfá



Kennedy



Lucas



Vera, representando o filho Marcos Vinicius



Pedro Condé



 Victor Augusto












MENINOS MALUQUINHOS POR UM DIA - A noite de ontem foi marcada com encontro super agradável, de conversa descontraída, de boas recordações e depoimentos, na Casa Ziraldo de Cultura, quando aconteceu o reencontro de algumas das "crianças" que participaram da inauguração do monumento do Menino Maluquinho (2003). Marcaram presenças: Kennedy Neves , Lucas Ribeiro, Pedro Vítor Condé, Eliseu Bomfá, Victor Augusto, e Vera, que representou o filho Marcos Vinicius.
O Encontro fez parte da programação do 1º Cicuito Literário "Ziraldo Alves Pinto", realizado pelo cartunista Edra.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Menino Maluquinho Faz 40 Anos e Ganha Novos Amigos Para Falar Sobre Síndrome de Down


 Chico, Maria Clara e Maria Antônia, os novos amigos 
do Menino Maluquinho (foto acervo pessoal)

    Thaissa Alvarenga, 43 anos, engravidou em 2013 e com seis meses de gestação descobriu que seu filho Francisco poderia nascer com Síndrome de Down e cardiopatia congênita, uma alteração no desenvolvimento do coração. Com a confirmação, a publicitária focou na maternidade e logo teve também Maria Clara e em seguida Maria Antônia. 
    Alvarenga já realizava voluntariado na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) quando criou o blog Chico e suas Marias, em que compartilha relatos e vivências de seus três filhos, focando na inclusão e na importância da diversidade. 
    O espaço foi crescendo e deu origem à ONG Nosso Olhar, que busca fornecer informação, mobilização e realizar projetos de inclusão desde o nascimento até idades mais avançadas de pessoas com Trissomia 21. “Quando o portal foi crescendo, nasceram alguns projetos e sentimos a necessidade de criar uma ONG. Assim, a Nosso Olhar nasce com o intuito de mobilizar a sociedade, educar acerca da causa e incluir desde o acolhimento, assuntos da primeira infância até o mercado de trabalho” relata a empresária social.             Recentemente, com os 40 anos do Menino Maluquinho em outubro, a instituição se uniu com a Ziraldo Artes Produções (ZAP) e dois novos amigos entraram para as histórias do garoto que conquistou tantas crianças com suas pirações: o Chico e as Marias. Em forma de cartilhas e tirinhas, o material conterá um glossário de termos e conteúdos sobre educação, inclusão nas escolas, terapias, dicas, brincadeiras e esportes, além de abordar também o autismo e outras modificações genéticas. 
    O projeto ainda busca patrocínio, mas a ideia é ter distribuição gratuita em escolas, empresas, mercados e farmácias. Idealmente, antes da volta às aulas de 2021. 
    O grupo também irá espalhar diversas tirinhas pelas redes sociais. “Nosso propósito é mostrar, a partir das histórias de Thaissa sob o olhar do Ziraldo, que uma criança com Síndrome de Down também vive aventuras e tem o direito e as condições de brincar e ser feliz. Além de orientar como isso pode ocorrer de forma saudável e inclusiva”, informa Rogério Mainardes, 60, diretor geral da ZAP. É importante que as crianças aprendam a conviver com as diferenças. Na prática, elas serão mais generosas, empáticas e tolerantes. O exemplo é fundamental. Já abrimos muitos caminhos, mas ainda faltam adultos mais humanos”, reflete a responsável. As obras contam com o apoio de muitas mãos. Os relatos partem da experiência da mãe das crianças e do que observa enquanto eles se desenvolvem, mas serão estruturados por Ziraldo e sua equipe. Alvarenga comunica que não há certo ou errado quando se fala sobre deficiência. “É um desafio, o ser humano tem seus preconceitos e o importante é levar o que se discute normalmente com informação e clareza. 
    Dar voz às pessoas com deficiência, seus familiares e educadores.” À luz do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 1° de outubro, que de acordo com Alvarenga incentiva a segregação de estudantes com deficiência por meio da estatização da Política Nacional de Educação Especial (PNEE), ações como essa ganham mais força. “É um retrocesso e inconstitucional, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (destinada a promover e assegurar igualdade no exercício dos direitos e liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania). Meu filho estuda em uma escola regular e vejo na prática o quanto ele é impactado e o quanto ele impacta os amigos”, detalha. Já Rogério Mainardes ressalta a importância da convivência entre as diferenças. De acordo com ele, essa interação é fundamental para que a sociedade aceite essa questão e a trabalhe de forma conjunta e saudável. Sob esse contexto, o Menino Maluquinho demonstrará de forma lúdica como é se relacionar com crianças especiais: alegre e enriquecedor. 

Fonte: O Povo (CE)