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terça-feira, 30 de junho de 2026

O Menino de Caratinga - Revista E - SESC/SP - Matéria edição de Junho/2026


 Ziraldo, no dia da inauguração do monumento 
do Menino Maluquinho,em Caratinga (MG) sua tera natal


POR VANESSA D’AMARO
Revista E – SESC/SP – edição de jumho de 2026 

 
    Poucas cidades brasileiras foram tão amadas por um artista quanto Caratinga, no interior de Minas Gerais. A terra natal do cartunista, jornalista e escritor Ziraldo (1932–2024) foi, ao longo de sua vida, uma fonte inesgotável de inspiração. “Caratinga foi a minha maior fantasia”, disse no documentário Ziraldo – Era uma vez um menino (2022), dirigido pela filha, a cineasta Fabrizia Pinto. Esbanjando carisma, o menino Ziraldo perambulava pelo centro durante as décadas de 1930 e 1940, fazendo amigos, inventando brincadeiras e observando o mundo com curiosidade. Amava tanto aquele lugar que guardou uma memória cartográfica. “Sou capaz de desenhar as casas da rua principal de Caratinga uma por uma, de um lado e do outro, e dizer quem morava nelas”, declarou em entrevista ao Museu da Pessoa. 
    
     O próprio nome nasceu bem-humorado, tal qual um traço de sua personalidade: Ziraldo é a junção de Zizinha, a mãe costureira, e Geraldo, o pai guarda-livros. A invenção, inclusive, dá pistas da capacidade imaginativa da família Alves Pinto. Ziraldo aprendeu a ler cedo com a mãe, que transformava o desenho das letras do alfabeto em brincadeira — método que ele próprio usaria anos mais tarde com os filhos Daniela, Fabrizia e Antonio. Começou a desenhar aos 6 anos e não demorou para se apaixonar pelos quadrinhos, sempre ansioso pelos exemplares que chegavam à banca local. Lia títulos como O Gibi, O Globo Juvenil, Mirim, Tico-Tico e O Lobinho. Na literatura infantil, acumulava exemplares de Monteiro Lobato, Viriato Correia, Ofélia e Narbal Fontes. “Os quadrinhos eram a minha janela para o mundo”, afirmou. Aos 12 anos, descobriu a caricatura e passou a brincar com o exagero dos retratos, incentivado pelo pai. Aos 16, em 1948, tinha certeza de que queria ser cartunista e trabalhar em um jornal. Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar e conseguiu estágio em publicidade. 

     Retornou a Caratinga em 1952 para servir ao Exército. E, na sequência, se mudou para Belo Horizonte, onde estudou Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na época, já desenhava para algumas publicações – e seu traço único capturava o olhar de futuros colegas e amigos. “Eu e Ziraldo tínhamos 9 anos de diferença. Quando era criança, eu adorava os quadrinhos da revista Sesinho”, lembra o escritor Pedro Bandeira. “Quando contei isso para o Ziraldo, ele me contou que começou desenhando para essa revista. Sou fã dele há 75 anos!”. 

    Em 1958, já casado com Vilma Gontijo Alves Pinto (1934–2000), partiu novamente para o Rio de Janeiro. “Meu avô deu para o meu pai um cartão postal de Copacabana nos anos 1940. E ele era tão determinado que decidiu alugar um apartamento em um dos prédios que viu nesse cartão postal”, conta Daniela Thomas, a filha mais velha, sobre a infância na praça do Lido. 

Brasil nos quadrinhos 

    Ziraldo entrou definitivamente no mundo editorial no fim dos anos 1950. Publicou charges, tiras e cartuns no Jornal do Brasil e em O Cruzeiro Internacional. Em 1960, realizou o sonho de se tornar autor de quadrinhos com a revista Pererê. O Saci, o indígena Tininim, a onça Galileu, o jabuti Moacir, o tatu Pedro Vieira, o coelho Geraldinho e o macaco Alan — muitos deles batizados com nomes de amigos de Caratinga — formavam um universo profundamente brasileiro. Ali estava a preocupação com o meio ambiente e o folclore nacional, tratados com humor e inteligência. 

    Foi nesse período que recebeu a visita de Mauricio de Sousa, interessado em publicar suas próprias histórias. A generosidade de Ziraldo se tornou um impulso para o cartunista lançar futuramente a Turma da Mônica. “O Ziraldo tinha uma ousadia, uma confiança no humor brasileiro e uma visão muito autoral que encorajaram o meu pai”, conta Marina Sousa, filha de Mauricio e diretora executiva da Mauricio de Sousa Produções. A conversa foi tão boa que Ziraldo convidou Mauricio para desenhar algumas tiras do Pererê. “Houve ali admiração mútua e, principalmente, a sensação de que era possível fazer quadrinhos brasileiros com identidade, com alma”, fala Marina. Os dois permaneceram grandes amigos a vida inteira, colaborando inclusive juntos em algumas ocasiões, como foi o caso dos livros O maior anão do mundo (2011) e O reizinho e o castelo perdido (2013). “Na arte, ambos tinham traços muito próprios, mas compartilhavam uma coisa essencial: o desenho como extensão da personalidade. O humor também vinha desse lugar afetuoso, que faz rir e pensar ao mesmo tempo. Eles acreditavam que contar histórias era uma forma de formar cidadãos mais curiosos, mais criativos, mais humanos”, reflete Marina. 

     O golpe militar de 1964 interrompeu a experiência do Pererê. Em 1969, após o AI-5, Ziraldo se uniu a Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral e Luiz Carlos Maciel para fundar O Pasquim. O jornal se tornou espaço de resistência e humor em meio à censura. “O Pasquim era um veículo em que as pessoas conseguiam se expressar. Então, esta foi uma época muito intensa porque vivíamos sob um medo constante”, lembra Fabrizia. Muitos dos grandes personagens de Ziraldo ficaram populares nesse período, como The Supermãe, Jeremias o Bom e Os Zeróis. “Acho que o traço do meu pai é eternamente contemporâneo. O desenho dele nunca ficou datado”, afirma Fabrizia. 

   Entre 1968 e 1970, o cartunista foi preso três vezes. “Eu e Daniela temos algumas lembranças dessas passagens, de ficarmos sem ele em casa, sem saber se ele ia voltar ou não”, comenta Fabrizia. “Em uma das prisões, meu pai ficou um mês numa solitária, o que para mim foi das coisas mais violentas porque ele sempre esteve rodeado de gente, nossa casa vivia sempre cheia”, recorda Daniela. “Nós fomos visitá-lo em todas as prisões. Para nós, ele sempre amenizou a situação. Dizia que ficava lá jogando cartas, que era superdivertido. Hoje, lendo os antigos diários e cartas dele, entendemos as angústias que ele sentiu”, reflete Daniela. A irmã, Fabrizia, vem reunindo esses textos em um livro que deve ser publicado pela família ainda em 2026. 

     Felizmente, Ziraldo retornou à casa todas as vezes – diferente do que aconteceu com Rubens Paiva, cuja família é retratada no filme Ainda estou aqui (2024), do qual Daniela foi produtora executiva. “Na última prisão, em 1970, ficamos bastante tempo sem saber onde meu pai estava. Mas o Sérgio Macaco [Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, capitão paraquedista da aeronáutica] veio nos procurar e contou que todos eles [a equipe de O Pasquim] estavam em um quartel em Marechal Hermes. Minha mãe organizou uma visita e fomos até lá”, conta Daniela. “Na noite anterior à nossa visita, as celas onde eles estavam foram invadidas por baratas e eles travaram uma batalha com elas. Sem saber, jogaram creme de barbear achando que era inseticida. Eles nos contaram tudo, rindo, brincando… Até nesse momento, eles estavam fazendo piada”, lembra. 

Literatura infantil 

    Em 1969, mesmo ano de fundação de O Pasquim, Ziraldo lançou outro trabalho emblemático: Flicts, seu primeiro livro infantil. Criado em apenas dois dias, ele conta a história de uma cor rara e triste chamada Flicts. Sem lugar neste mundo, ela acaba encontrando o seu destino na lua. 

     Flicts se tornou marco da literatura infantil brasileira. Em uma resenha ao jornal Correio da Manhã, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi só elogios à narrativa, afirmando que Ziraldo “abriu mão de suas artimanhas”, no caso os seus desenhos autorais, para revelar a festa da cor como realidade profunda. “Sua revelação é fulgurante. Faz explodir a carga emocional e mental que as cores trazem consigo”, escreveu o poeta. “Eu acho que foi um livro revolucionário. Com uma história tão simples, ele tocou em tantos temas importantes”, comentou Fabrizia, que completou: “Ali, ele entendeu que a literatura infantil era o lugar dele.” 

   O livro correu o mundo e foi traduzido para diversos idiomas, vencendo o Prêmio Andersen – Il mondo dell’infanzia, na Itália. Foi tão longe que chegou até os astronautas – outra grande referência para Ziraldo. Quando Neil Armstrong (1930-2012) visitou o Rio de Janeiro, recebeu o livro, leu junto a Ziraldo e disse que a lua era, sim, Flicts, como descrito pelo escritor. Este episódio, inclusive, Daniela recorda com carinho. “Eu voltei para casa pisando em nuvens pensando que meu pai tinha me levado para conhecer um astronauta”, conta. 

O Menino Maluquinho 

    Em 1980, criou O Menino Maluquinho, seu maior best-seller. O autor conta no documentário Ziraldo – Era uma vez um menino (2022) que partiu de uma premissa muito simples: queria mostrar que uma criança feliz se torna um adulto legal. 

     Cheio de episódios quase autobiográficos, O Menino Maluquinho ressoou no Brasil inteiro. Com apenas quatro meses de publicação, já havia vendido mais de 100 mil exemplares. O personagem se tornou um fenômeno editorial e cultural. E não demorou para que o menino vestido de Napoleão com uma panela na cabeça entrasse no imaginário do brasileiro: virou filme, série de TV e até desenho animado. 

    Como não podia deixar de ser, Caratinga também quis celebrar o personagem e, em 2003, uma estátua de 10 metros de altura, criada por João Rosendo Alvim Soares, foi instalada na praça dos Rodoviários. Foi a primeira – mas não a única – grande homenagem a Ziraldo na cidade. Ele, inclusive, se mantinha sempre informado sobre a política local e contribuía com a vida comunitária, mesmo vivendo no Rio. O coreto da cidade, por exemplo, é uma obra inesperada de Oscar Niemeyer (1907-2012), depois de um pedido do próprio Ziraldo, para a praça Cesário Alvim. “Caratinga foi o amor da vida dele. Aquela praça era o quintal da casa”, lembra Fabrizia. 

    Em 2025, quando Ziraldo completou o seu aniversário de 25 anos na editora Melhoramentos, convidou três amigos escritores para escreverem três títulos diferentes com ele: Ruth Rocha, Ana Maria Machado e Pedro Bandeira. “Eu escrevi o apólogo Papo de sapato. Para mim, aquela foi uma honra equivalente a um prêmio Nobel. Tenho tantos momentos memoráveis da convivência com esse gênio, que daria um livro dos grossos”, comenta Bandeira. 

     Desinibido e falante, ele sempre espalhou generosidade: deu conselhos aos mais jovens, ouviu suas histórias e abriu portas. “Ele era muito interessado nas pessoas. Acho que ele tinha um fascínio pelo olhar do outro”, diz Daniela. 

    Élcio Danilo Russo Amorim, o cartunista Edra, sabe bem disso. Morador de Caratinga, ele começou a acalentar o sonho de se tornar autor de histórias em quadrinhos nos anos 1980. Seguiu os passos do conterrâneo e acabou desenhando para o Correio Braziliense. Quando lançava Se rir eu choro (1998), foi atrás do mestre para escrever o prefácio. O pedido ocorreu quando Ziraldo organizou uma festa de aniversário para seu pai em Caratinga e um conhecido os apresentou. Ficaram de conversar depois por telefone. “Ele pediu para eu ligar para ele de madrugada, enquanto ele estava trabalhando. Nos falamos às duas horas da manhã”, conta Edra, rindo. 

    Edra foi responsável por criar, na década de 1990, o Salão Internacional do Humor de Caratinga com a intenção de trazer cartunistas e chargistas para o local. Mais tarde, fundou a Casa Ziraldo de Cultura, que conta com um grande acervo de Ziraldo e uma gibiteca, além de abrigar exposições, palestras e oficinas culturais. “Sempre admirei Ziraldo porque é muito difícil alguém que fica tão famoso e bem-sucedido ainda manter uma relação tão próxima do lugar de onde veio”, reflete. 

De Caratinga à Via Láctea 
    
     Ao longo da carreira, Ziraldo publicou cerca de 200 títulos. “Eu não escrevo para crianças, eu escrevo para o núcleo familiar. Nunca um livro meu foi lido só pela criança; a mãe e o pai leem também”, afirmou ao Museu da Pessoa. 

    Aos 75 anos, ele idealizou a série Os meninos dos planetas, planejada em dez volumes, em que retornou à temática do universo. “Eu descobri que esse é um jeito de eu vencer a morte. Como eu vou fazer um por ano, eu só posso morrer daqui a 10 anos”, brincou no depoimento ao Museu da Pessoa. O primeiro volume foi O menino da lua (2007), finalista do prêmio Jabuti; o último, As cores do escuro e Os meninos de plutão (2018). “Ele sempre foi um apaixonado pelo Espaço: esse amor começou bem antes da corrida espacial, com os quadrinhos do Flash Gordon”, afirma Daniela. “Acho que o astronauta é um símbolo dessa curiosidade pelo novo que ele sempre teve”, reflete Fabrizia. 

    Após concluir a série, Ziraldo sofreu um AVC, o que o deixou mais recluso. Em 2024, faleceu aos 91 anos. As homenagens foram grandiosas e afetuosas em todo o Brasil. Caratinga decretou oficialmente o dia 24 de outubro, seu aniversário, como Dia do Ziraldo. 

    “Ele era uma pessoa excepcional: muito amoroso, muito apaixonado, muito provocador”, afirma Fabrizia. “O que eu posso dizer é que, se eu nascesse 20 vezes, escolheria ser filha do Ziraldo em todas elas”, diz, emocionada. Para Daniela, Ziraldo permanece vivo em toda a sua obra. “O momento em que a gente vive é cruel com a memória. O corpo dele parou de funcionar, mas a alma dele está em tudo o que ele fez. Ele continua sendo um livro aberto. E eu acho que o tempo do meu pai é o tempo todo.”



Casa Ziraldo de Cultura - Inaugurada em 2009



Salão Internacional de Humor de Caratinga - em sua 21ª edição


O cartunista Edra, ao lado do conterrâneo ilustre,
 é o idealizador da Casa Ziraldo de Cultura e 
realizado do Salão de Humor de Caratinga

sábado, 26 de abril de 2025

ZIraldo - Um Ano Sem o ‘Senhor Maluquinho’



 Edra em sua "Ziraldoteca"

    A gigantesca imagem do “Menino Maluquinho” ainda está lá, alegre e irreverente, no Centro do Município de Caratinga, em Minas Gerais. Porém, os seus milhares de admiradores lembraram com devoção e tristeza do primeiro ano de falecimento do criador dela, o cartunista, jornalista e escritor Ziraldo Alves Pinto, no último dia 06/04. Muitas homenagens à sua memória, como a caminhada “BH Maluquinha” ocorrida no mesmo dia, em Belo Horizonte, certamente foram feitas não só no seu estado natal como também em todo o País. Porém, uma das lembranças mais importantes com certeza é a guardada por seu amigo, discípulo e admirador, o cartunista, EDRA (abreviatura do nome do também caratinguense Elcio Danilo Russo Amorim). 
     E foi exatamente no dia em que se completou o ano que EDRA abriu as portas do seu estúdio/ateliê no alto da Rua Geraldo Alves Pinto (nome dado em homenagem ao pai de Ziraldo), com a “Ziraldoteca”, a esse repórter para mostrar as dezenas de peças dele, com ele e alusivas ao artista. São desenhos e cartuns produzidos para diversos salões de cartunismo de Caratinga promovidos por EDRA, reportagens de diversos veículos de comunicação a respeito de um livro que ele próprio escreveu sobre Ziraldo, fotos deles em múltiplos eventos Brasil afora, momentos descontraídos e intimistas de Ziraldo. Enfim, um precioso e diversificado acervo artístico e cultural que o repórter estranhou ainda não estar aberto ao público. 
     Entre as muitas fotos do acervo, uma de EDRA, Ziraldo e o cantor Agnaldo Timóteo, outro caratinguense famoso a exemplo, ainda, da jornalista Miriam Leitão e do escritor e biógrafo Rui Castro. As fotos desses quatro famosos, aliás, aparecem no grande painel que ilustra a entrada da “Casa Ziraldo”, na Rua Governador Benedito Valadares (ex-governador de Minas Gerais que dá nome ao Município). Até a panela de alumínio que virou símbolo de irreverência na cabeça no “Menino Maluquinho” está lá, na “Ziraldoteca”, espetada. Há, ainda, cartuns das 19 edições do “Salão Internacional do Humor de Caratinga” (dos quais Ziraldo participou de quase todos, cuja 20ª edição está sendo preparada), troféus como o da “Turma do Pererê” e livros a exemplo de “Mineirinho Comequieto”. 
     São dois salões repletos de peças que EDRA diz só abrir à visitação de amigos, admiradores e imprensa. Tantas peças que o nosso espaço seria insuficiente para citá-las e enumerá-las individualmente. EDRA, por sinal, ocupa a cadeira que leva o nome de Ziraldo na Academia Caratinguense de Letras (ACL). E foi o responsável pela criação, com requerimento à Câmara Municipal, do “Dia Ziraldo”, que se comemora no Município na data do seu nascimento (24/10). A “Casa Ziraldo de Cultura”, que é administrada pela Prefeitura e encontra-se temporariamente fechada em função de questões administrativas devido à recente troca do governo municipal, existe há 15 anos (criada em 27/11/2010). Também criou a “Casa Ziraldo de Cultura.blogspot. com”. 
     Mas EDRA não é apenas um admirador, discípulo e colecionador de obras de Ziraldo. Ele possui uma vasta produção artística própria. É cartunista premiado em vários eventos nacionais e internacionais, e esteve inclusive no Irã. Produz desenhos para revistas e outras publicações. Entre suas obras destacam-se, além do livro “Ziraldo 85 — ao Mestre com Carinho”, que publicou em homenagem aos 85 anos de idade do cartunista, a organização do livro “90 Maluquinhos por Ziraldo – Histórias e Causos” com textos/depoimentos de personalidades. Entre eles estão escritores e cartunistas como: Luís Fernando Veríssimo, Luís Pimentel, Maurício de Sousa, Miguel Paiva, Aroeira, Zuenir Ventura e Ana Maria Machado. E ele está trabalhando num novo projeto literário sobre o qual pede sigilo.                    Embora seguidor e inspirado em Ziraldo, ele tem o seu próprio traço e estilo que desenvolve com extrema maestria e facilidade. Além de cartunista é produtor cultural, design gráfico, jornalista e editor. Tem 36 livros publicados. Prova disso é o desenho relâmpago que fez na dedicatória do livro que ofertou a esse repórter. E estranhou, por sinal, que mais nenhum jornalista e/ou órgão de imprensa tenha comparecido para fazer alguma reportagem lembrando a passagem do primeiro ano de falecimento de Ziraldo na cidade. 
     EDRA lembra que no dia do falecimento do ídolo e amigo ele e outros amigos se preparavam para fazer um churrasco. O que naturalmente foi cancelado em virtude da triste notícia. “Alguns ainda ligaram para mim a fim de confirmar se a notícia era verdadeira mesmo. O que infelizmente era”, ressalta o cartunista. O que faz lembrar uma frase que Ziraldo costumava dizer: “se eu morrer, quero morrer jornalista”. Não morreu “jornalista”, nem “cartunista”, tampouco “escritor”, pois ele e suas obras são mesmo eternas. 

Evaldo Nascimento / Jornal Folha da Terra







Cartunista Edra e o jornalista Evaldo Nascimento

domingo, 10 de novembro de 2024

Circuito Literário Celebrou o "Dia Ziraldo"



 Jornal "A Semana" nº 1542 - 9 de novembro de 2024


    No dia 24 de outubro, foi aberto ao público o “1° Circuito Literário Ziraldo Alves Pinto”, marcando a inauguração do “Dia Ziraldo”, marcando a inauguração da comemoração do "Dia Ziraldo", data oficial para homenagear o ilustre caratinguense, falecido no dia 6 de abril deste ano. O evento aconteceu na Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga. 
     A programação foi aberta com a exposição “O Legado do Ziraldo” com banners de cartuns, charges, caricaturas, ilustrações, fotos e se estenderá até 27 de novembro, com agendamento de visitação das escolas, apresentando atividades diversificadas, como música, dança, oficinas, exposições, teatro, fotografia, feiras de livro, exibição de filmes e lançamentos de livros, sempre na Casa Ziraldo de Cultura que completa 15 anos de fundação no dia do encerramento do evento, com a previsão de um grande encontro cultural reunindo escritores, agentes culturais e artistas, de todos os segmentos, para dividir com o público presente os talentos de Caratinga. 
     O cartunista e produtor cultural Elcio Danilo Russo Amorim, o Edra, idealizador e realizador do evento, destaca a importância da programação. “O circuito vem para fortalecer a arte na cidade e inspirar novas gerações” .

sábado, 13 de julho de 2024

Ziraldo Presenteou Cidade Natal com Acervo de Millôr e Coreto Pedido a Niemeyer


Folha de São Paulo - edição: 08/04/2024
 

    São Paulo – Um sorridente Menino Maluquinho acena para quem passa pela BR-116 na altura de Caratinga, a cerca de 300 km de Belo Horizonte, no leste de Minas Gerais. Com dez metros de altura, a escultura do garoto travesso que usa uma panela na cabeça sinaliza aos viajantes que os quase 90 mil habitantes da cidade não esquecem seu conterrâneo mais ilustre, Ziraldo Alves Pinto. 
     Tampouco o cartunista, que morreu no último sábado (6), aos 91 anos, abandonou sua terra natal. Lembrado de forma perene no monumento de seu personagem mais conhecido e em uma casa de cultura que leva seu nome, Ziraldo falava com frequência do município em entrevistas e esteve diversas vezes na cidade. 
     Foi na adolescência que o já artista - ele publicou seus desenhos pela primeira vez em jornal aos seis anos - saiu do interior mineiro para viver no Rio de Janeiro. Voltou a Caratinga para terminar o colegial e depois foi para Belo Horizonte, estudar na Faculdade de Direito da UFMG. Formou-se em 1957 e, em seguida, fixou-se em solo carioca. 
    Ao se radicar no Rio, seguia o caminho de gerações anteriores de escritores mineiros, como a de Carlos Drummond de Andrade e a dos chamados cavaleiros do apocalipse — Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos. 
     “Minas era pequena para o tipo de artista que eu pretendia ser”, disse em entrevista em 1997. “Não tinha nenhuma hipótese de eu fazer história em quadrinho aqui.” 
     Um dos últimos registros de uma visita dele a Caratinga é de 2015, quando esteve no Casarão das Artes para inaugurar o Espaço Millôr Fernandes, que abriga o acervo pessoal do escritor, desenhista e um amigo de Ziraldo. 
     Segundo a mantenedora do casarão, estão lá mais de 5.000 livros do artista carioca doados pelo filho, Ivan Fernandes, a pedido de Ziraldo. Acompanhado do parceiro de O Pasquim, Millôr visitou o município mineiro nos anos 1960. 
     Outra gentileza concedida por um amigo ao caratinguense é o coreto hexagonal Ronaldinho Calazans, instalado na praça Cesário Alvim, na década de 1980. 
    Era o próprio Ziraldo quem costumava contar que Oscar Niemeyer fez o desenho a seu pedido - o Iepha, órgão de patrimônio do estado, lista a obra como sendo de “autoria atribuída” ao arquiteto. 
     Em 2012, em homenagem aos seus 80 anos, Ziraldo foi recebido com um desfile de estudantes de todas as escolas da cidade, divididos em alas que representavam fases de sua vida e obra. Outros conterrâneos famosos, como a jornalista Míriam Leitão e o cantor Agnaldo Timóteo, estavam ao lado dele. 
     “Foi apoteótico. Sabe aqueles desfiles de Sete de Setembro? Assim fizeram para o Ziraldo”, conta o cartunista Edra, 64, criador da Casa Ziraldo de Cultura e do Salão Internacional de Humor de Caratinga. 
     Fundado em 2009, o espaço hoje é gerido pela prefeitura e realiza exposições, lançamentos e outros eventos com o objetivo de promover artistas locais. “Ziraldo dizia: é só o meu nome, mas a casa é de todos os artistas de Caratinga.” 
     Edra, que também é autor de “90 Maluquinhos por Ziraldo: Histórias e Causos”, pela editora Melhoramentos, e outros livros sobre o ídolo, vem se dedicando nos últimos anos a uma pesquisa sobre publicações da imprensa local a respeito de Ziraldo, desde o nascimento, em 1932. 
     “E tudo o que os grandes jornais publicavam naturalmente a imprensa de Caratinga também reportava”, ressalta. Segundo ele, o acervo coletado mostra que a intensidade da ligação do artista com a cidade não era da boca para fora. “É emocionante. Ele realmente falava muito de Caratinga, ele vinha aqui, ele interferia em tudo”, conta Edra, citando como exemplos o posicionamento do artista em discussões sobre salário de professores e até sobre a reforma do jardim de uma praça polêmicas que sempre terminavam em afago, relata. “Sempre o que prevalecia era o amor de Ziraldo por Caratinga e, automaticamente, o amor de seus conterrâneos por ele”, afirma. 
     Foi também Ziraldo que desenhou alguns dos primeiros cartazes do Salão de Humor, dedicado a cartuns, charges, caricaturas e quadrinhos, cujo prêmio máximo é o Troféu Pererê outra homenagem declarada. Em junho, o evento terá a sua 19ª edição. “Um dia ele me disse: até quando eu morrer eu quero fazer os cartazes do salão”, recorda Edra. Cumpriu a promessa até quando pôde. A prefeitura decretou luto de sete dias e lamentou a morte em nota: “Sua genialidade e contribuições para a cultura brasileira continuarão a brilhar em nossos corações”. (Daniela Mercier)

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Salão Internacional de Humor de Caratinga Lança Cartaz Com Arte Definitiva Assinada por Ziraldo



    A vigésima edição do Salão Internacional de Humor de Caratinga, programada para junho do próximo ano, já lançou seu cartaz e que será, daqui por diante, eternizado levando a assinatura do cartunista Ziraldo Alves Pinto, que faleceu no dia 6 de abril deste ano, aos 91 anos de idade. 

    O realizador do evento, o produtor cultural Elcio Danilo Russo Amorim, o Edra, esclarece o motivo desta decisão: “Durante o lançamento do livro “Uma ‘doze’ de Humor Mineiro”, em Brasília, no mês de abril de 2006, fui prestigiado com a presença do ilustre amigo e conterrâneo Ziraldo que, ao chegar à livraria, bem ao seu estilo, com os braços sobre os meus ombros bradou: “este menino é um maluco! Ele promove um salão de humor em Caratinga interrrrrrrnacional!! Uma maravilha que só vendo!!!”. Em seguida me perguntou quantos cartazes ele já tinha feito do evento. Ao ouvir a resposta que eram quatro, ele virou-se novamente para o público presente e voltou a falar em alto e bom som: “Pois de agora em diante eu quero fazer todos os cartazes, até o fim da minha vida!”. Foi um dia de grande emoção pra mim. 

     O Salão de Humor de Caratinga é o principal de Minas Gerais e está entre os três mais longevos e importantes do país e que destaca o nome de nossa cidade em projeção internacional. “No próximo ano, estaremos, com a benção de Deus, alcançado a fabulosa meta de 20 edições. Decidi que a arte do cartaz será o mesmo desenho que ele fez para o décimo salão de humor, realizado em 2009, durante a inauguração da Casa Ziraldo de Cultura, que completa 15 anos de fundação neste ano. Agora o seu desenho será o cartaz e a marca definitiva de divulgação do Salão de Humor de Caratinga”, conclui o cartunista.



Os cartunistas caratinguenses Edra e Ziraldo

terça-feira, 18 de abril de 2023

Prefeitura de Caratinga Regulamenta Utilização da Casa Ziraldo de Cultura / 2023

Casa Ziraldo de Cultura - Caratinga (MG)

    CARATINGA- A Prefeitura de Caratinga publicou decreto que regulamenta a utilização da Casa Ziraldo de Cultura, localizada na Avenida Benedito Valadares, nº 15, bairro Centro, cidade de Caratinga, sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte. 
    A Casa Ziraldo de Cultura caracteriza-se como espaço destinado à prática de atividades culturais, tais como: exposições, lançamentos, palestras, cursos de capacitação, reuniões e museu. 
    Conforme o documento, o espaço só poderá ser utilizado após análise e aprovação do evento pela Superintendência de Cultura e Esporte, devendo a solicitação ser feita através de ofício, protocolado junto ao Departamento de Esporte e Cultura, localizado na Praça Cesário Alvim, n° 01, 3° andar, bairro Centro. 
    Poderão utilizar o espaço cultural qualquer cidadão ou instituição, desde que seja previamente agendado. Em caso de eventos organizados por cidadãos ou instituições não vinculadas ao Poder Público Municipal, as propostas serão avaliadas pela Superintendência de Cultura e Esporte. 
    Não serão permitidos eventos relacionados a atividades político-partidárias, casamentos, batizados, festas ou comemorações de cunho pessoal, cultos religiosos de qualquer crença, agremiações de clubes ou torcidas organizadas. 
    O horário permitido para utilização da Casa Ziraldo de Cultura será das 8h às 22h, inclusive, aos sábados, domingos e feriados. 
    Somente será permitida a prática de atividades respeitando o limite máximo de sete dias consecutivos e mínimo de duas horas de atividades nos horários estabelecidos e de público estabelecido em laudo dos bombeiros. 
    É proibida a venda ou ingestão de bebidas alcoólicas, bem como o uso de cigarro ou assemelhados nas dependências da Casa Ziraldo de Cultura. 
    O responsável pelo evento realizado na Casa Ziraldo de Cultura será também responsável pelo fornecimento de água, café, copos descartáveis e lanche, se houver, bem como pelo abastecimento do banheiro com papel higiênico, sabonete e toalhas de papel, além das sacolas de lixo a serem utilizadas no local e recolhimento do lixo produzido. Durante a realização de eventos a segurança do local será de responsabilidade do promotor do evento, que deverá contratar equipe de segurança própria, caso seja necessário, ou comunicar oficialmente às instituições de segurança pública a respeito da realização das atividades, visando maior segurança ao público e envolvidos. Os usuários são responsáveis pela conservação e limpeza, ficando sob responsabilidade do realizador, zelar pelo patrimônio público

Fonte: Diário de Caratinga / edição 14 de abril de 2023