terça-feira, 30 de junho de 2026

O Menino de Caratinga - Revista E - SESC/SP - Matéria edição de Junho/2026


 Ziraldo, no dia da inauguração do monumento 
do Menino Maluquinho,em Caratinga (MG) sua tera natal


POR VANESSA D’AMARO
Revista E – SESC/SP – edição de jumho de 2026 

 
    Poucas cidades brasileiras foram tão amadas por um artista quanto Caratinga, no interior de Minas Gerais. A terra natal do cartunista, jornalista e escritor Ziraldo (1932–2024) foi, ao longo de sua vida, uma fonte inesgotável de inspiração. “Caratinga foi a minha maior fantasia”, disse no documentário Ziraldo – Era uma vez um menino (2022), dirigido pela filha, a cineasta Fabrizia Pinto. Esbanjando carisma, o menino Ziraldo perambulava pelo centro durante as décadas de 1930 e 1940, fazendo amigos, inventando brincadeiras e observando o mundo com curiosidade. Amava tanto aquele lugar que guardou uma memória cartográfica. “Sou capaz de desenhar as casas da rua principal de Caratinga uma por uma, de um lado e do outro, e dizer quem morava nelas”, declarou em entrevista ao Museu da Pessoa. 
    
     O próprio nome nasceu bem-humorado, tal qual um traço de sua personalidade: Ziraldo é a junção de Zizinha, a mãe costureira, e Geraldo, o pai guarda-livros. A invenção, inclusive, dá pistas da capacidade imaginativa da família Alves Pinto. Ziraldo aprendeu a ler cedo com a mãe, que transformava o desenho das letras do alfabeto em brincadeira — método que ele próprio usaria anos mais tarde com os filhos Daniela, Fabrizia e Antonio. Começou a desenhar aos 6 anos e não demorou para se apaixonar pelos quadrinhos, sempre ansioso pelos exemplares que chegavam à banca local. Lia títulos como O Gibi, O Globo Juvenil, Mirim, Tico-Tico e O Lobinho. Na literatura infantil, acumulava exemplares de Monteiro Lobato, Viriato Correia, Ofélia e Narbal Fontes. “Os quadrinhos eram a minha janela para o mundo”, afirmou. Aos 12 anos, descobriu a caricatura e passou a brincar com o exagero dos retratos, incentivado pelo pai. Aos 16, em 1948, tinha certeza de que queria ser cartunista e trabalhar em um jornal. Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar e conseguiu estágio em publicidade. 

     Retornou a Caratinga em 1952 para servir ao Exército. E, na sequência, se mudou para Belo Horizonte, onde estudou Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na época, já desenhava para algumas publicações – e seu traço único capturava o olhar de futuros colegas e amigos. “Eu e Ziraldo tínhamos 9 anos de diferença. Quando era criança, eu adorava os quadrinhos da revista Sesinho”, lembra o escritor Pedro Bandeira. “Quando contei isso para o Ziraldo, ele me contou que começou desenhando para essa revista. Sou fã dele há 75 anos!”. 

    Em 1958, já casado com Vilma Gontijo Alves Pinto (1934–2000), partiu novamente para o Rio de Janeiro. “Meu avô deu para o meu pai um cartão postal de Copacabana nos anos 1940. E ele era tão determinado que decidiu alugar um apartamento em um dos prédios que viu nesse cartão postal”, conta Daniela Thomas, a filha mais velha, sobre a infância na praça do Lido. 

Brasil nos quadrinhos 

    Ziraldo entrou definitivamente no mundo editorial no fim dos anos 1950. Publicou charges, tiras e cartuns no Jornal do Brasil e em O Cruzeiro Internacional. Em 1960, realizou o sonho de se tornar autor de quadrinhos com a revista Pererê. O Saci, o indígena Tininim, a onça Galileu, o jabuti Moacir, o tatu Pedro Vieira, o coelho Geraldinho e o macaco Alan — muitos deles batizados com nomes de amigos de Caratinga — formavam um universo profundamente brasileiro. Ali estava a preocupação com o meio ambiente e o folclore nacional, tratados com humor e inteligência. 

    Foi nesse período que recebeu a visita de Mauricio de Sousa, interessado em publicar suas próprias histórias. A generosidade de Ziraldo se tornou um impulso para o cartunista lançar futuramente a Turma da Mônica. “O Ziraldo tinha uma ousadia, uma confiança no humor brasileiro e uma visão muito autoral que encorajaram o meu pai”, conta Marina Sousa, filha de Mauricio e diretora executiva da Mauricio de Sousa Produções. A conversa foi tão boa que Ziraldo convidou Mauricio para desenhar algumas tiras do Pererê. “Houve ali admiração mútua e, principalmente, a sensação de que era possível fazer quadrinhos brasileiros com identidade, com alma”, fala Marina. Os dois permaneceram grandes amigos a vida inteira, colaborando inclusive juntos em algumas ocasiões, como foi o caso dos livros O maior anão do mundo (2011) e O reizinho e o castelo perdido (2013). “Na arte, ambos tinham traços muito próprios, mas compartilhavam uma coisa essencial: o desenho como extensão da personalidade. O humor também vinha desse lugar afetuoso, que faz rir e pensar ao mesmo tempo. Eles acreditavam que contar histórias era uma forma de formar cidadãos mais curiosos, mais criativos, mais humanos”, reflete Marina. 

     O golpe militar de 1964 interrompeu a experiência do Pererê. Em 1969, após o AI-5, Ziraldo se uniu a Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral e Luiz Carlos Maciel para fundar O Pasquim. O jornal se tornou espaço de resistência e humor em meio à censura. “O Pasquim era um veículo em que as pessoas conseguiam se expressar. Então, esta foi uma época muito intensa porque vivíamos sob um medo constante”, lembra Fabrizia. Muitos dos grandes personagens de Ziraldo ficaram populares nesse período, como The Supermãe, Jeremias o Bom e Os Zeróis. “Acho que o traço do meu pai é eternamente contemporâneo. O desenho dele nunca ficou datado”, afirma Fabrizia. 

   Entre 1968 e 1970, o cartunista foi preso três vezes. “Eu e Daniela temos algumas lembranças dessas passagens, de ficarmos sem ele em casa, sem saber se ele ia voltar ou não”, comenta Fabrizia. “Em uma das prisões, meu pai ficou um mês numa solitária, o que para mim foi das coisas mais violentas porque ele sempre esteve rodeado de gente, nossa casa vivia sempre cheia”, recorda Daniela. “Nós fomos visitá-lo em todas as prisões. Para nós, ele sempre amenizou a situação. Dizia que ficava lá jogando cartas, que era superdivertido. Hoje, lendo os antigos diários e cartas dele, entendemos as angústias que ele sentiu”, reflete Daniela. A irmã, Fabrizia, vem reunindo esses textos em um livro que deve ser publicado pela família ainda em 2026. 

     Felizmente, Ziraldo retornou à casa todas as vezes – diferente do que aconteceu com Rubens Paiva, cuja família é retratada no filme Ainda estou aqui (2024), do qual Daniela foi produtora executiva. “Na última prisão, em 1970, ficamos bastante tempo sem saber onde meu pai estava. Mas o Sérgio Macaco [Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, capitão paraquedista da aeronáutica] veio nos procurar e contou que todos eles [a equipe de O Pasquim] estavam em um quartel em Marechal Hermes. Minha mãe organizou uma visita e fomos até lá”, conta Daniela. “Na noite anterior à nossa visita, as celas onde eles estavam foram invadidas por baratas e eles travaram uma batalha com elas. Sem saber, jogaram creme de barbear achando que era inseticida. Eles nos contaram tudo, rindo, brincando… Até nesse momento, eles estavam fazendo piada”, lembra. 

Literatura infantil 

    Em 1969, mesmo ano de fundação de O Pasquim, Ziraldo lançou outro trabalho emblemático: Flicts, seu primeiro livro infantil. Criado em apenas dois dias, ele conta a história de uma cor rara e triste chamada Flicts. Sem lugar neste mundo, ela acaba encontrando o seu destino na lua. 

     Flicts se tornou marco da literatura infantil brasileira. Em uma resenha ao jornal Correio da Manhã, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi só elogios à narrativa, afirmando que Ziraldo “abriu mão de suas artimanhas”, no caso os seus desenhos autorais, para revelar a festa da cor como realidade profunda. “Sua revelação é fulgurante. Faz explodir a carga emocional e mental que as cores trazem consigo”, escreveu o poeta. “Eu acho que foi um livro revolucionário. Com uma história tão simples, ele tocou em tantos temas importantes”, comentou Fabrizia, que completou: “Ali, ele entendeu que a literatura infantil era o lugar dele.” 

   O livro correu o mundo e foi traduzido para diversos idiomas, vencendo o Prêmio Andersen – Il mondo dell’infanzia, na Itália. Foi tão longe que chegou até os astronautas – outra grande referência para Ziraldo. Quando Neil Armstrong (1930-2012) visitou o Rio de Janeiro, recebeu o livro, leu junto a Ziraldo e disse que a lua era, sim, Flicts, como descrito pelo escritor. Este episódio, inclusive, Daniela recorda com carinho. “Eu voltei para casa pisando em nuvens pensando que meu pai tinha me levado para conhecer um astronauta”, conta. 

O Menino Maluquinho 

    Em 1980, criou O Menino Maluquinho, seu maior best-seller. O autor conta no documentário Ziraldo – Era uma vez um menino (2022) que partiu de uma premissa muito simples: queria mostrar que uma criança feliz se torna um adulto legal. 

     Cheio de episódios quase autobiográficos, O Menino Maluquinho ressoou no Brasil inteiro. Com apenas quatro meses de publicação, já havia vendido mais de 100 mil exemplares. O personagem se tornou um fenômeno editorial e cultural. E não demorou para que o menino vestido de Napoleão com uma panela na cabeça entrasse no imaginário do brasileiro: virou filme, série de TV e até desenho animado. 

    Como não podia deixar de ser, Caratinga também quis celebrar o personagem e, em 2003, uma estátua de 10 metros de altura, criada por João Rosendo Alvim Soares, foi instalada na praça dos Rodoviários. Foi a primeira – mas não a única – grande homenagem a Ziraldo na cidade. Ele, inclusive, se mantinha sempre informado sobre a política local e contribuía com a vida comunitária, mesmo vivendo no Rio. O coreto da cidade, por exemplo, é uma obra inesperada de Oscar Niemeyer (1907-2012), depois de um pedido do próprio Ziraldo, para a praça Cesário Alvim. “Caratinga foi o amor da vida dele. Aquela praça era o quintal da casa”, lembra Fabrizia. 

    Em 2025, quando Ziraldo completou o seu aniversário de 25 anos na editora Melhoramentos, convidou três amigos escritores para escreverem três títulos diferentes com ele: Ruth Rocha, Ana Maria Machado e Pedro Bandeira. “Eu escrevi o apólogo Papo de sapato. Para mim, aquela foi uma honra equivalente a um prêmio Nobel. Tenho tantos momentos memoráveis da convivência com esse gênio, que daria um livro dos grossos”, comenta Bandeira. 

     Desinibido e falante, ele sempre espalhou generosidade: deu conselhos aos mais jovens, ouviu suas histórias e abriu portas. “Ele era muito interessado nas pessoas. Acho que ele tinha um fascínio pelo olhar do outro”, diz Daniela. 

    Élcio Danilo Russo Amorim, o cartunista Edra, sabe bem disso. Morador de Caratinga, ele começou a acalentar o sonho de se tornar autor de histórias em quadrinhos nos anos 1980. Seguiu os passos do conterrâneo e acabou desenhando para o Correio Braziliense. Quando lançava Se rir eu choro (1998), foi atrás do mestre para escrever o prefácio. O pedido ocorreu quando Ziraldo organizou uma festa de aniversário para seu pai em Caratinga e um conhecido os apresentou. Ficaram de conversar depois por telefone. “Ele pediu para eu ligar para ele de madrugada, enquanto ele estava trabalhando. Nos falamos às duas horas da manhã”, conta Edra, rindo. 

    Edra foi responsável por criar, na década de 1990, o Salão Internacional do Humor de Caratinga com a intenção de trazer cartunistas e chargistas para o local. Mais tarde, fundou a Casa Ziraldo de Cultura, que conta com um grande acervo de Ziraldo e uma gibiteca, além de abrigar exposições, palestras e oficinas culturais. “Sempre admirei Ziraldo porque é muito difícil alguém que fica tão famoso e bem-sucedido ainda manter uma relação tão próxima do lugar de onde veio”, reflete. 

De Caratinga à Via Láctea 
    
     Ao longo da carreira, Ziraldo publicou cerca de 200 títulos. “Eu não escrevo para crianças, eu escrevo para o núcleo familiar. Nunca um livro meu foi lido só pela criança; a mãe e o pai leem também”, afirmou ao Museu da Pessoa. 

    Aos 75 anos, ele idealizou a série Os meninos dos planetas, planejada em dez volumes, em que retornou à temática do universo. “Eu descobri que esse é um jeito de eu vencer a morte. Como eu vou fazer um por ano, eu só posso morrer daqui a 10 anos”, brincou no depoimento ao Museu da Pessoa. O primeiro volume foi O menino da lua (2007), finalista do prêmio Jabuti; o último, As cores do escuro e Os meninos de plutão (2018). “Ele sempre foi um apaixonado pelo Espaço: esse amor começou bem antes da corrida espacial, com os quadrinhos do Flash Gordon”, afirma Daniela. “Acho que o astronauta é um símbolo dessa curiosidade pelo novo que ele sempre teve”, reflete Fabrizia. 

    Após concluir a série, Ziraldo sofreu um AVC, o que o deixou mais recluso. Em 2024, faleceu aos 91 anos. As homenagens foram grandiosas e afetuosas em todo o Brasil. Caratinga decretou oficialmente o dia 24 de outubro, seu aniversário, como Dia do Ziraldo. 

    “Ele era uma pessoa excepcional: muito amoroso, muito apaixonado, muito provocador”, afirma Fabrizia. “O que eu posso dizer é que, se eu nascesse 20 vezes, escolheria ser filha do Ziraldo em todas elas”, diz, emocionada. Para Daniela, Ziraldo permanece vivo em toda a sua obra. “O momento em que a gente vive é cruel com a memória. O corpo dele parou de funcionar, mas a alma dele está em tudo o que ele fez. Ele continua sendo um livro aberto. E eu acho que o tempo do meu pai é o tempo todo.”



Casa Ziraldo de Cultura - Inaugurada em 2009



Salão Internacional de Humor de Caratinga - em sua 21ª edição


O cartunista Edra, ao lado do conterrâneo ilustre,
 é o idealizador da Casa Ziraldo de Cultura e 
realizado do Salão de Humor de Caratinga

sábado, 27 de junho de 2026

Brenda Silva Lança Seu Primeiro Livro, Neste Sábado, na Casa Ziraldo de Cultura e Aposta na Fantasia Para Conquistar Leitores / 2026



 

    Apaixonada pela leitura desde a infância, a estudante de Psicologia Brenda Lopes da Silva, de 21 anos, dá um importante passo em sua trajetória literária com o lançamento de seu primeiro livro, “Ametista”. A obra será apresentada ao público neste sábado (27), a partir das 16h, na Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga. 
    Leitora desde os nove anos de idade, Brenda sempre encontrou nos livros uma oportunidade de expandir a imaginação, conhecer novos universos e enxergar diferentes perspectivas do mundo. Agora, ela passa para o outro lado da página, transformando-se em autora. 
    Em entrevista ao DIÁRIO, Brenda fala sobre a origem da obra, suas influências literárias e os desafios da escrita. Entrevista – Brenda Silva, autora de “Ametista” 

 “Ametista” marca seu lançamento como escritora. Como nasceu a ideia da história e em que momento você percebeu que ela merecia se transformar em um livro? 
Ametista nasceu há quatro anos através do meu gosto pela leitura e escrita. Algumas coisas que me causavam incomodo ou geravam curiosidade, se tornavam elementos do livro. Nada muito específico e elaborado. Desenhava personagens. Pesquisava nomes e seus significados. Coisas que faço desde os meus 13 anos quando algo me chama a atenção. No final, Ametista se tornou a ideia favorita e todas as outras ficaram de lado. O título remete a uma pedra cercada de simbolismos. 

Qual o significado da ametista dentro da narrativa e por que ela foi escolhida para dar nome à obra? 
Eu precisava de uma pedra com propriedades específicas, e a ametista foi a selecionada. Quanto ao significado dentro da narrativa a leitura irá dizer… Todo escritor carrega influências literárias. Quais autores, livros ou universos de fantasia mais contribuíram para a construção da sua imaginação e da sua escrita? Os livros que trouxeram mais contribuição para a construção da história foram “A revolução dos bichos” de George Orwell e “Sobre escrever” de C.S. Lewis. A divulgação do livro fala sobre segredos, coragem e autodescoberta. De que forma esses temas aparecem na trajetória dos personagens? Através das escolhas difíceis que precisam tomar. 

Existe algum personagem de “Ametista” com quem você se identifica mais? Em algum deles há traços da própria Brenda Silva? 
Júniper, a personagem principal. Ela questiona e observa tudo. Escrever fantasia exige criar mundos, regras e atmosferas próprias. 

Qual foi o maior desafio durante esse processo de construção do universo da obra? 
O maior desafio foi desenvolver a história mantendo a coerência com a regra que move a cidade. Então eu precisava ter cuidado com as falas e ações dos personagens para que não perdesse o sentido principal. Muitos escritores afirmam que suas histórias começam com uma imagem, uma frase ou um personagem. 

Como foi o seu caso? O que surgiu primeiro em “Ametista”? Um laboratório escondido e cinco adolescentes curiosos. Como foi o caminho até a publicação do livro? Houve momentos de insegurança ou de vontade de desistir antes de chegar ao lançamento? 
No processo da escrita é muito comum pensar que a sua história não é boa o suficiente, e essa busca pela perfeição foi o que mais me trouxe insegurança e vontade de desistir. Mas ao pesquisar, percebi que muitos autores passam pelo mesmo problema, e que sempre haverá ao menos 01 leitor para a sua obra. 

O que você espera que o leitor leve consigo após fechar a última página de “Ametista”? Existe alguma mensagem que considera central na obra? 
A primeiro momento eu espero que mantenha a curiosidade e nunca pare de buscar respostas, questionar e compreender o porquê das coisas. 

Este lançamento representa o fim de uma jornada ou o começo de uma nova fase? Já existem outros projetos literários ou continuações sendo planejados? 
Ametista representa o começo. Existem muitas pontas soltas que precisam ser ajustadas, e a continuação já está em andamento. Você vai lançar seu livro em Caratinga, diante de familiares, amigos e leitores. 

O que passa pela sua cabeça ao ver um sonho que nasceu na imaginação ganhar forma e chegar às mãos do público? 
É muito gratificante quando penso que a história que eu guardava comigo agora pode ser lida por outras pessoas. Eu sou muito grata à Lei Aldir Blanc que me apoiou com seus recursos, e a Prefeitura de Caratinga. Ambos foram cruciais para a realização desse sonho

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Projeto ‘Cidade Inclusiva’ Leva Exposição Tátil internacional, na Casa Ziraldo de Cultura



Festival acontece gratuitamente nos dias 26 e 27 de junho. 


    Mais que um festival: um legado de acessibilidade para os espaços culturais. É com essa proposta que Caratinga recebe, nos dias 26 e 27 de junho, a primeira edição do Cidade Inclusiva, projeto que une programação artística acessível, protagonismo de pessoas com deficiência e melhorias na acessibilidade estrutural dos equipamentos culturais que recebem as atividades. O projeto conta com o patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e realização da Cultura Criativa. 
     O principal destaque da programação é a exposição “Tocar e Sentir”, da artista-educadora Eni D’Carvalho, que será inaugurada na noite de abertura do festival, na Casa Ziraldo de Cultura. Referência nacional e internacional em arte acessível, Eni dedica há quase 30 anos sua trajetória à criação de obras táteis e inclusivas. São mais de 400 trabalhos produzidos e 186 exposições realizadas, sendo 40 internacionais, incluindo mostras realizadas em espaços ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Seu trabalho busca ampliar o acesso das pessoas com deficiência visual, intelectual e neurodivergentes às artes, ao mesmo tempo em que sensibiliza o público para a construção de uma sociedade mais inclusiva. 
     A abertura do festival acontece na sexta-feira (26), às 19h, com a inauguração da exposição. Em seguida, o público acompanha a apresentação musical da dupla Leandro & Sandy, irmãos com deficiência visual e moradores de São Sebastião do Anta, que interpretam sucessos da música sertaneja. 
     No sábado (27), a programação ocupa a Praça da Estação com atrações voltadas para públicos de todas as idades. Entre os destaques estão a apresentação da APAE de Caratinga, oficina aberta de Libras, oficinas gastronômicas infantis ‘Mini Chefs’, o TEAtrar – Teatro Inclusivo, apresentação do violeiro Danilo Bayão, músico com deficiência visual e integrante da Orquestra Mineira de Violas, além do show de encerramento com o cantor caratinguense Carlos Brum, artista com deficiência física. Durante todo o evento haverá ainda um espaço multissensorial de acolhimento para crianças atípicas e apresentações do DJ neurodivergente Peu Avelar nos intervalos da programação. 
     “Nossa ideia é aproveitar a realização dos festivais para discutir e também implementar melhorias reais e permanentes na acessibilidade desses equipamentos culturais. Mais que apenas realizar um festival acessível, a ideia é deixar cada equipamento cultural mais acessível do que ele era antes, além de sensibilizar gestores e população da importância de se fazer cultura efetivamente para todas as pessoas, independentemente de suas capacidades”, explica Fred Torres, diretor da Cultura Criativa, proponente do projeto. 
     O projeto conta com um grupo de trabalho em acessibilidade, formado por profissionais com vasta experiência em cultura e acessibilidade, e que são pessoas com deficiência. São feitas visitas técnicas e elaborados relatórios que direcionam melhorias estruturais de acessibilidade nos equipamentos culturais participantes. 
     “Destaco alguns pontos neste projeto: valoriza a diversidade de pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes, incrementa a acessibilidade como algo estrutural para deixar um legado de acessibilidade e não só um recurso pontual. E o protagonismo da pessoa com deficiência, a partir do momento em que o projeto é desenvolvido pelas pessoas com deficiência e não para elas”, explica Gabriel Aquino, pessoa com deficiência visual, fundador da Empresa Vias Acessíveis e coordenador de acessibilidade do projeto. 

Legado de acessibilidade para Caratinga 

     Além da programação cultural gratuita, o Cidade Inclusiva deixará um legado permanente de acessibilidade estrutural para a Casa Ziraldo de Cultura, equipamento cultural oficial do projeto na cidade. Já para os dias de festival, o local receberá um novo projeto de sinalização, com instalação de mapa e pisos táteis para acessibilidade de pessoas com deficiência visual e baixa visão. Também serão implementadas sinalizações acessíveis em braile para sanitários, escada e degraus, além de sinalização visual em portas de vidro para evitar colisões. 
     “A iniciativa reforça um dos principais objetivos do Cidade Inclusiva: utilizar a realização do festival como oportunidade para promover transformações permanentes nos equipamentos culturais, contribuindo para que esses espaços se tornem cada vez mais acolhedores, acessíveis para receber todas as pessoas. Em Caratinga, além das melhorias que fizemos a tempo do festival, ainda realizaremos outras que demandam mais tempo até o mês de setembro”, comenta Fred Torres, diretor da Cultura Criativa. 

 Local: Casa Ziraldo de Cultura 
19h: Abertura do festival e inauguração da exposição “Tocar e Sentir”, da artista-educadora Eni D’Carvalho 
 20h: Apresentação musical com a dupla Leandro & Sandy




Danilo Baião, músico com deficiência visual integrante da 
Orquestra Mineira de Viola (Fotos: Divulgação)

segunda-feira, 30 de março de 2026

Documentário “O Cão do Leste” Estreia com Sessão na Casa Ziraldo de Cultura



 

        O documentário O Cão do Leste terá sua estreia oficial no próximo dia 1º de abril, às 19h, em sessão especial na Casa Ziraldo de Cultura. A exibição marca o lançamento da obra, que propõe um mergulho em narrativas históricas e sociais do Leste de Minas Gerais. 
     O evento é uma realização da Prefeitura Municipal de Caratinga e deve reunir autoridades, produtores culturais e o público interessado em audiovisual e memória regional.      Com cerca de 15 minutos de duração, o documentário se apresenta como um manifesto cinematográfico que percorre a trajetória filosófica e política de Hélio Amaral. A obra resgata episódios marcantes da história do estado, abordando temas como formação religiosa, vivências no exterior e o enfrentamento à repressão durante o período militar no Brasil. A narrativa busca evidenciar memórias de resistência e dar visibilidade a personagens e acon
    tecimentos frequentemente esquecidos, destacando as marcas sociais e históricas da região leste mineira. 
     A direção e o roteiro são assinados por Glauber Fidelis e Leandro Martins, que também responde pela produção executiva. O projeto conta com a participação da produtora Borun Watu Filmes e apoio de coletivos culturais. 
     A entrada para a sessão é gratuita, mediante convite e sujeita à lotação do espaço. Após a exibição, membros da equipe de produção e representantes da Prefeitura estarão disponíveis para entrevistas. 
     Interessados podem obter mais informações junto à organização do evento

domingo, 29 de março de 2026

Artista Leva Universo do Anime à Exposição na Casa Ziraldo de Cultura



 

    A paixão pelo universo dos animes, que começou ainda na infância, se transformou em expressão artística e hoje ganha espaço em uma exposição aberta ao público em Caratinga. A ilustradora Camila Xavier Viana de Paiva, de 35 anos, natural de Santa Rita de Minas, apresenta seus trabalhos na Casa Ziraldo de Cultura, reunindo obras que transitam entre o artesanal, o contemporâneo e o universo da cultura pop japonesa. 
     Segundo a artista, o interesse pelo desenho surgiu cedo, mas foi na adolescência que o anime passou a influenciar diretamente sua trajetória. “O meu início de anime foi aos 12 anos de idade e eu começava a desenhar desde pequena já com anatomias e depois eu fiz a faculdade da Univale, em Governador Valadares, e me inspecionei em desenhar anime, na ilustração básica. E aí eu me formei e, graças a Deus, eu virei uma ilustradora”, relata. 
     A construção do estilo artístico de Camila passa por diferentes referências, que vão desde grandes nomes da animação até mangás conhecidos. “O que mais influenciou no meu trabalho é o Miyazaki, e também os mangás como Kurochitsuji, e outros diferenciados”, explica. 
     Entre essas influências, uma em especial carrega um significado mais profundo. “Ah, tem! Kurochitsuji! Porque ele é um anime que reflete tanto a melancolia, mas tanto a superação de uma pessoa e os atalhos que a gente tem na vida, que a gente não pode perder as esperanças das coisas difíceis. Por mais que seja difícil, você tem que fazer o possível para ficar tudo bem, que tenha muita esperança, e a gente sai lá na frente”, destaca.      
    Além da estética inspirada no anime, a artista também incorpora diferentes técnicas e materiais em suas produções, incluindo a reutilização de suportes. “Sim, eu sou designer gráfico e pintora. Eu uso trabalho com quadros a tecido e quadros recicláveis, que são quadros já usados e, com eles, eu uso e faço artes em cima dos mesmos”, afirma. 
     Ela detalha ainda o processo criativo: “O trabalho que eu faço são quadros grandes de pano, artesanal e tinta acrílica, tinta PVA e outras tintas, até mesmo de tecido. E usamos também alguns marcadores em certas partes também e espaço de tintas brilhosas também e até mesmo spray”. 
     Para Camila, o anime já ultrapassou barreiras e se consolidou como uma forma legítima de arte e expressão. “Ele é reconhecido. O anime é um mundo que expande a alegria das pessoas. Não só alegria, expande também o modo criativo, o modo que pode ensinar coisas boas para você. Os animes são baseados tanto na faixa etária infantil, adolescente e adulto, mas quem vê um anime não vê só um desenho ali, vê uma inspiração, vê uma história emocionante e vê também alguns fatos da vida que a gente pode aprender”, pontua. 
     A exposição, segundo a artista, busca proporcionar uma experiência afetiva ao público. “Representa um espaço de alegria, um espaço de companheirismo, tanto que todo mundo que entrou aqui na Casa de Ziraldo essa semana foi com um sorriso no rosto, tanto olhando as artes impressas quanto as artes artesanais e também alegria, porque aqui tem vários personagens que cada um gosta”, comenta. 

A mostra ficpu aberta ao público até o dia 21/03/2026, na Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga.





sexta-feira, 20 de março de 2026

Fossilis Celebra 25 Anos de Atuação Com Exposição na Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga / 2026



Exposição na Casa Ziraldo de Cultura de 16 a 20 de março 


    
    A Fossilis – Associação Científica e Cultural celebra, em 2026, seus 25 anos de atuação nas áreas de Arqueologia, Paleontologia e Geologia, consolidando-se como uma das principais referências na produção e difusão do conhecimento científico em Minas Gerais e no Brasil. 
     Fundada em 2001, em Caratinga, a instituição construiu uma trajetória marcada pelo crescimento e pela ampliação de suas atividades, saindo de iniciativas locais para participação em importantes congressos internacionais, incluindo eventos realizados no México. Ao longo dos anos, também se destacou na promoção de encontros científicos, como o Paleominas, contribuindo para o fortalecimento da pesquisa e do intercâmbio acadêmico. 
     Entre os projetos que marcaram sua história estão o Projeto Paleomirim e a Mostra de Paleoarte, iniciativas que aproximam a ciência da sociedade e despertam o interesse pelo patrimônio natural e histórico, especialmente entre crianças e jovens. 
     Como parte das comemorações do jubileu de prata, a Fossilis realizou, na noite da última segunda-feira (16 de março), a abertura da exposição “Fossilis 25 anos”, em Caratinga. A mostra segue aberta à visitação até o dia 20 de março, das 8h às 11h e das 13h às 17h. 
     A exposição reúne fósseis e réplicas que revelam a história da vida na Terra, registros fotográficos de atividades e projetos desenvolvidos ao longo dos anos, camisas comemorativas que marcaram diferentes fases da instituição, artefatos arqueológicos dos povos indígenas que habitaram a região de Caratinga, além de paleoartes que recriam cenários e seres do passado. 
     A iniciativa representa uma oportunidade para a população conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela associação, além de valorizar a ciência, a história e o patrimônio cultural da região. Com presença digital expressiva — ultrapassando a marca de 300 mil acessos em 2025 — e participação ativa em conselhos municipais, a Fossilis também atua na interface entre ciência e políticas públicas, reforçando seu compromisso com a democratização do conhecimento. 
     Ainda dentro das celebrações, a instituição se prepara para realizar o Paleo-MG 2026, evento que deve reunir pesquisadores, estudantes e entusiastas de diversas regiões do Brasil e do exterior. A comemoração dos 25 anos reafirma a missão da Fossilis de escavar histórias, preservar memórias e ampliar o acesso da sociedade à ciência.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Arte Dgital Ocupa Espaço na Casa Ziraldo de Cultura e Amplia Diálogo Cultural



 

    Entre os dias 21 e 31 de janeiro, a Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga, recebe a exposição de arte digital do artista Daniel Coelho, conhecido como Dan Coelho. A mostra acontece no espaço cultural localizado na Avenida Benedito Valadares, 15A, no Centro, e propõe ao público uma imersão no universo da arte contemporânea produzida a partir de recursos tecnológicos.      
    Reconhecido pela exploração de cores, formas e narrativas visuais, Dan Coelho apresenta uma coleção de obras que dialogam com temas atuais, como identidade, sensações e a relação entre o humano e o digital. A exposição evidencia o uso de ferramentas digitais como linguagem artística, reforçando a presença e a relevância desse segmento no cenário cultural contemporâneo. 
     Mais uma vez, a Casa Ziraldo de Cultura se firma como um dos principais espaços de valorização da arte e da cultura em Caratinga, abrindo espaço para novas linguagens visuais e para artistas que experimentam diferentes formas de expressão. 
    A mostra é aberta ao público e se apresenta como uma oportunidade para apreciadores de arte, estudantes e interessados conhecerem de perto um trabalho marcado pela originalidade e inovação. Segundo ele, ao unir tecnologia e criatividade, a exposição convida o visitante à reflexão e à conexão com novas possibilidades estéticas, reafirmando o papel da arte como instrumento de diálogo com o tempo presente.

Fonte: Diario de Caratinga: 22/01/2026