Festival acontece gratuitamente nos dias 26 e 27 de junho.
Mais que um festival: um legado de acessibilidade para os espaços culturais. É com essa proposta que Caratinga recebe, nos dias 26 e 27 de junho, a primeira edição do Cidade Inclusiva, projeto que une programação artística acessível, protagonismo de pessoas com deficiência e melhorias na acessibilidade estrutural dos equipamentos culturais que recebem as atividades. O projeto conta com o patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e realização da Cultura Criativa.
O principal destaque da programação é a exposição “Tocar e Sentir”, da artista-educadora Eni D’Carvalho, que será inaugurada na noite de abertura do festival, na Casa Ziraldo de Cultura. Referência nacional e internacional em arte acessível, Eni dedica há quase 30 anos sua trajetória à criação de obras táteis e inclusivas. São mais de 400 trabalhos produzidos e 186 exposições realizadas, sendo 40 internacionais, incluindo mostras realizadas em espaços ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Seu trabalho busca ampliar o acesso das pessoas com deficiência visual, intelectual e neurodivergentes às artes, ao mesmo tempo em que sensibiliza o público para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
A abertura do festival acontece na sexta-feira (26), às 19h, com a inauguração da exposição. Em seguida, o público acompanha a apresentação musical da dupla Leandro & Sandy, irmãos com deficiência visual e moradores de São Sebastião do Anta, que interpretam sucessos da música sertaneja.
No sábado (27), a programação ocupa a Praça da Estação com atrações voltadas para públicos de todas as idades. Entre os destaques estão a apresentação da APAE de Caratinga, oficina aberta de Libras, oficinas gastronômicas infantis ‘Mini Chefs’, o TEAtrar – Teatro Inclusivo, apresentação do violeiro Danilo Bayão, músico com deficiência visual e integrante da Orquestra Mineira de Violas, além do show de encerramento com o cantor caratinguense Carlos Brum, artista com deficiência física. Durante todo o evento haverá ainda um espaço multissensorial de acolhimento para crianças atípicas e apresentações do DJ neurodivergente Peu Avelar nos intervalos da programação.
“Nossa ideia é aproveitar a realização dos festivais para discutir e também implementar melhorias reais e permanentes na acessibilidade desses equipamentos culturais. Mais que apenas realizar um festival acessível, a ideia é deixar cada equipamento cultural mais acessível do que ele era antes, além de sensibilizar gestores e população da importância de se fazer cultura efetivamente para todas as pessoas, independentemente de suas capacidades”, explica Fred Torres, diretor da Cultura Criativa, proponente do projeto.
O projeto conta com um grupo de trabalho em acessibilidade, formado por profissionais com vasta experiência em cultura e acessibilidade, e que são pessoas com deficiência. São feitas visitas técnicas e elaborados relatórios que direcionam melhorias estruturais de acessibilidade nos equipamentos culturais participantes.
“Destaco alguns pontos neste projeto: valoriza a diversidade de pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes, incrementa a acessibilidade como algo estrutural para deixar um legado de acessibilidade e não só um recurso pontual. E o protagonismo da pessoa com deficiência, a partir do momento em que o projeto é desenvolvido pelas pessoas com deficiência e não para elas”, explica Gabriel Aquino, pessoa com deficiência visual, fundador da Empresa Vias Acessíveis e coordenador de acessibilidade do projeto.
Legado de acessibilidade para Caratinga
Além da programação cultural gratuita, o Cidade Inclusiva deixará um legado permanente de acessibilidade estrutural para a Casa Ziraldo de Cultura, equipamento cultural oficial do projeto na cidade. Já para os dias de festival, o local receberá um novo projeto de sinalização, com instalação de mapa e pisos táteis para acessibilidade de pessoas com deficiência visual e baixa visão. Também serão implementadas sinalizações acessíveis em braile para sanitários, escada e degraus, além de sinalização visual em portas de vidro para evitar colisões.
“A iniciativa reforça um dos principais objetivos do Cidade Inclusiva: utilizar a realização do festival como oportunidade para promover transformações permanentes nos equipamentos culturais, contribuindo para que esses espaços se tornem cada vez mais acolhedores, acessíveis para receber todas as pessoas. Em Caratinga, além das melhorias que fizemos a tempo do festival, ainda realizaremos outras que demandam mais tempo até o mês de setembro”, comenta Fred Torres, diretor da Cultura Criativa.
Local: Casa Ziraldo de Cultura
19h: Abertura do festival e inauguração da exposição “Tocar e Sentir”, da artista-educadora Eni D’Carvalho
20h: Apresentação musical com a dupla Leandro & Sandy
Orquestra Mineira de Viola (Fotos: Divulgação)


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