Espaço criado em Caratinga (MG) para realizações de eventos culturais. Mantém o acervo da vida e obra do filho ilustre da cidade. Consta ainda galerias homenageando aos demais conterrâneos que são celebridades nacionais como os jornalistas Ruy Castro e Miriam Leitão e o cantor Agnaldo Timóteo dentre tantos outros. O Salão Internacional de Humor de Caratinga e a Gibiteca "Turma do Pererê", também fazem parte do complexo. Idealizada pelo cartunista Edra: "Tudo que é real, foi um sonho um dia".
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quarta-feira, 28 de março de 2018
Cartunista Edra Lança Livro em Homenagem a Ziraldo / Entrevista TV Doctum
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
ABZ do Ziraldo Em Sua Quinta Temporada
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| Ziraldo, quinta temporada no seu ABZ |
A partir do dia 15 de março a criançada vai poder curtir os novos episódios do programa mais maluquinho da TV Brasil. A quinta temporada do 'ABZ do Ziraldo' vem cheia de novidades.
O personagem mais famoso da literatura infantil brasileira, Menino Maluquinho, estará presente contando aventuras inéditas no programa.
O Coral Maluquinho também passou por mudanças. Novos cantores assumem o posto sob a regência do maestro Ronald Valle e interpretam versões personalizadas de grandes sucessos da música popular brasileira.
Autores de livros infantis inspiram em suas entrevistas ao apresentador, para incentivar o hábito da leitura, estimular a imaginação e a criatividade dos pequenos. Mais de 150 escritores e ilustradores já estiveram na prancheta do mestre Ziraldo, entre os quais Ana Maria Machado, Thalita Rebouças, Pedro Bandeira, Ruth Rocha e Roger Mello.
Mágicos, atores, artesãos, músicos, artistas animam o público com suas apresentações. Além disso, jogos e brincadeiras também fazem parte desse divertido e interativo mosaico de atrações que é o 'ABZ do Ziraldo'.
O 'ABZ do Ziraldo' é exibido na TV Brasil ao meio dia de domingo. Prepare seu chapéu de panela e não perca!
Fonte: Porta Comunique-se
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Ziraldo Será Enredo em Escola Mirim, no Rio 2015.
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| Adicionar legenda |
A escola contará com muitas novidades para a próxima folia. O presidente Joel Toledo segue à frente da agremiação Mirim do Estácio, no entanto, o dirigente tratou de trazer alguns reforços para o time que tocará o carnaval.
Para a vice-presidência, assume Marcos Nunes, que atua há quatro anos na equipe de harmonia da Nova Geração. Com passagens pelo Salgueiro, Estácio, Grande Rio, Unidos da Tijuca e União da Ilha, Marcos recebeu o convite do Presidente Joel e de cara aceitou:
"A possibilidade de chegar para somar e a alegria de trabalhar para as crianças me motivaram muito... É sempre um prazer trabalhar para as crianças".
Outra novidade é a contratação do carnavalesco e artista plástico Vinicius Ferraz, que em 2014 assinou o desfile da Estrelinha da Mocidade. Vinicius ficou conhecido no mundo do samba ao sugerir o enredo "É Segredo" ao carnavalesco Paulo Barros, resultando no primeiro título da carreira de Paulo e também quebrando um jejum de várias décadas da Unidos da Tijuca. Antes da Estrelinha, o carnavalesco teve passagem por outra escola mirim, a Infantes do Lins.
O enredo do Ziraldo, no entanto teve outra fonte. Fã do escritor desde menino, Ricardo Dias, assina o argumento e o texto da sinopse de 2015. Rick, como é conhecido no mundo do samba, comandou a Verde e Branco Mirim da Mocidade por sete anos, e tinha essa ideia guardada na cabeça há tempos:
"Sempre tive vontade de homenagear o Ziraldo na Estrelinha, mas sempre acontecia algum contratempo e adiávamos o tema... Acho que era para ser na Nova Geração mesmo".
Dos sete anos na Estrelinha, somente em um deles Rick não assinou o argumento e a sinopse do enredo: "Eu sugeria o enredo e desenvolvia as sinopses que levávamos para a avenida na época em que eu era presidente. Graças a Deus os carnavalescos que aturam por lá nunca viram problema com isso e as parcerias sempre foram positivas. Em 2013, ano que reeditamos o samba de 92 da Mocidade, é que o Leo Bora, que é formado em Letras, nos presenteou com uma linda história. Essa de eu me envolver nos temas deve ter dado certo, já que arrebatamos vários prêmios de enredo por lá." lembrou Rick.
A Direção de Carnaval segue a cargo de Jorge Braga, no cargo há 10 anos, desde que chegou à Agremiação. Jorge cuida de perto de todos os detalhes do desfile e da sua produção e está bastante otimista com esta nova fase que se anuncia:
"Estamos focados em busca de um grande carnaval para a nossa garotada. Será um desfile inesquecível, fruto de muita dedicação e trabalho".
"Última Ceia" do Ziraldo Será Restaurada na Urca.
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| Ziraldo vai acompanhar de perto a restauração do painel. |
Uma pequena favela, os Arcos da Lapa, um astronauta e um banquete regado a muita cerveja fazem parte do painel "Última Ceia", pintado por Ziraldo em 1967 e que será agora restaurado, em uma parede da antiga casa de shows Canecão, na Urca, zona sul do Rio de Janeiro.
Considerado transgressor durante o regime militar, o painel com dimensões gigantescas (tem 32 m x 6 m) foi murado. Mas, durante as obras de restauração do espaço, que voltou a pertencer à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 2010, a obra foi revelada.
"É o maior painel do tipo em território brasileiro. Vamos trazer a obra de volta à apreciação do público. Isso faz parte do plano diretor UFRJ 2020, que integra a universidade à cidade. Assim, todo o processo de restauro será aberto ao público, que poderá opinar também", diz Carlos Vainer, coordenador do Fórum de Ciência e Cultura.
Ainda de acordo com Vainer, o maior painel brasileiro é "Guerra e Paz", de Candido Portinari, que está na sede da ONU (Organizações das Nações Unidas) em Nova York.
O cartunista também participará do processo, que terá coordenação do curso de Conservação e Restauração da universidade fluminense.
"Sabe aquela piada do índio que estava tentando fazer sinal de fumaça e, então, estoura uma bomba atômica perto? Ele diz: era isso o que queria fazer. Então, quando vi a parede em branco, pensei: era isso que eu queria pintar", diz o artista.
Ziraldo lembrou o processo de pintura, em que criava as tintas. "Comprava as tintas brancas e colocava corante em pó, para criar as cores que eu queria. Assim como os pintores renascentistas. Demorei seis meses para fazer, com a parceria de outros colegas. Não tenho como definir minha alegria com a restauração", afirma ele.
O restauro será coordenado pela Escola de Belas Artes da UFRJ e contará com dez alunos dos cursos de Restauro.
A previsão é que fique pronto até o final do ano, já que é uma das ações que fazem parte das comemorações dos 450 anos da fundação do Rio.
A visitação pública para acompanhar a recuperação será aberta em abril, com a instalação de uma passarela.
Em meio à crise financeira que a universidade passa, com o fechamento do Museu Nacional, o reitor da UFRJ, Carlos Levi, afirmou que o dinheiro já está garantido.
"São verbas distintas.
A da restauração já está prevista no orçamento total da faculdade, que inclui tintas, bolsas para os estudantes.
A verba do museu carece da normalização do sistema de pagamento do governo federal."
Fonte: Bruna Fannti, para a Folha do Rio
Foto: Ricardo Borges
Foto: Ricardo Borges
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Ziraldo Recebe Homenagem da Galeria Scenarium Com Troféu "Luiz Peixoto" Pela Sua Trajetória
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| Ziraldo recebe homenagem na Galeria Scenarium |
1a Bienal em parceria com a Galeria Scenariyum convida:
Ziraldo será agraciado com um "Troféu Luiz Peixoto" no próximo sábado, 29, às 17 h, último dia da Exposição "Mulheres de Ziraldo", na Galeria Scenarium, Rua do Lavradio, n. 15, Centro do Rio, com presença confirmada do homenageado.
A Contemplação à Ziraldo ocorre agora, em face de sua longa e profícua e fantástica trajetória na caricatura brasileira, que o coloca como um dos maiores caricaturistas mundiais.
A concepção e ideia da homenagem partiu do organizador da 1a Bienal da Caraicatura, Luciano Magno, autor da obra "História da Caricatura Brasileira".
O artista ficou emocionado ao receber a notícia da homenagem, ainda mais porque conheceu Luiz Peixoto em vida, caricaturista dos tempos dos bambas dessa arte no início do século XX.
Os curadores da galeria Scenarium, Camila Torzecki e Plínio Froes deram total apoio à iniciativa.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
As Mulheres de Ziraldo Em Cartaz no Rio
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| Galeria Scenarium expõe as musas de Ziraldo. |
Dono de um vigor absoluto e de uma criatividade sem limites, Ziraldo vem desenvolvendo, nesses últimos anos, mais uma expressão do seu múltiplo talento: a pintura em tela grande.Depois da série Os Zeróis é a vez das Mulheres do Ziraldo.
Mulheres, tema recorrente em sua obra, alcança, nos quinze quadros dessa exposição, seu momento de máximo requinte. Da visão privilegiada do mar de Ipanema, em dia de sol, às ensimesmadas Demoiselles de Sauneleblon, Ziraldo percorre uma geografia amorosa e pessoal do corpo feminino no auge de sua beleza e esplendor.
Da natureza tropical, o artista capta a luz, os tons, as formas sinuosas, opulentas, provocantes dos corpos em festa, apoteose dos sentidos em ritmo e ritual pagão.
A Praia de Ipanema é a livre passarela da mulher carioca no seu ir e vir num doce balanço caminho do mar. Alegria em tela. Criador e criatura se fundem e se confundem no mesmo culto ao ensolarado e luminoso verão.
Amador da vida e da beleza feminina, sensualíssimo observador e usufruidor de suas formas, posições, movimentos, Ziraldo guardou na sua memória sensorial e afetiva momentos para ele emblemáticos como o da famosa atriz francesa que se debruça na janela oferecendo à observação de todos o seu perfeito derriere. Nas mãos experientes e sábias do artista virou obra de arte.
Assim como transformou em arte a sedutora imagem do calendário, marco inicial do pulo, sem rede de segurança, do anonimato de uma mulher para o posto de deusa americana do sex-apeal.
As Três Graças de Rafael e as Demoiselles d’Avignon, de Picasso ganham leitura atualizadas e localizadas no território livre de Ipanema e Leblon.
A observação dos quadros aqui expostos, além da genialidade inconfundível do traço do artista, nos remete por indução ao momento em que a ideia se esboça na tela em pleno êxtase criativo. Uma celebração à beleza, à alegria, à vida.
A exposição foi inaugurada no dia 14 de outubro e ficará aberta ao público até 29 de novembro. Entrada franca.
Maria Gessy
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Ziraldo Está Internado no Rio de Janeiro
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| Escritor caratinguense apresenta quadro estável |
O escritor e cartunista Ziraldo, 81 anos, está internado desde terça-feira no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. O estado de saúde do mineiro de Caratinga, na zona da mata, é estável e ele passa por exames complementares, de acordo com a assessoria do hospital.
Há um ano, Ziraldo, 81 anos, precisou ser submetido a um cateterismo porque teve um pequeno infarto. O cartunista passou mal logo após chegar à Feira de Frankfurt, onde participaria de uma palestra ao lado do cartunista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica.
O debate foi cancelado e Ziraldo recebeu os primeiros socorros no próprio posto médico da feira, sendo levado em seguida para o hospital.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Morre Ziralzi, irmão do Escritor Ziraldo
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| Ziraldo e o irmão Ziralzi, em Ilha Grande, janeiro deste ano. |
Morreu às 9h deste domingo (7), no Rio de Janeiro, Ziralzi Alves Pinto, irmão do escritor e cartunista Ziraldo. Segundo parentes, ele tinha 81 anos e morreu em casa, na Fonte da Saudade, na Lagoa, Zona Sul do Rio, de insuficiência respiratória.
Ex-assessor da presidência da Casa da Moeda, estava de licença médica e se recuperava de dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Ziralzi era o segundo de sete irmãos, mais novo apenas que Ziraldo, de 82 anos. Os irmãos nasceram em Caratinga, Minas Gerais.
"Ele é o meu amigo mais antigo. Eu tenho 82 anos, ele tem 81. Nasceu um ano depois de mim. É uma perda muito forte porque nós nunca deixamos de estar juntos. É uma relação muito forte. Eu sou irmão mais velho e, em geral, o segundo tem problemas com o primogênito. Ele passou a vida inteira orgulhoso de ser meu irmão. Ele fazia uma propaganda por ser meu irmão", contou Ziraldo.
O enterro será às 13h desta segunda-feira (7), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul.
Segundo Ziraldo, o irmão estava "muito deprimido" após ser destituído do cargo que ocupava na Casa da Moeda, em Brasília. "Ele voltou para o Rio, ficou muito deprimido, triste, perdeu a vontade de conversar com a gente. Foi muito triste o final da vida dele. Tristeza e desgosto são muito presentes no AVC", disse o cartunista.
Após deixar a UTI, Ziralzi se recuperava bem em casa, de acordo com o irmão. "Estava tudo dando certo. Ele estava paciente, com uma paciência infinita pela situação dele. Não pudemos fazer nada (...) Botei a mão nele e ele estava quente. Balancei a cabeça dele e ele não falou nada. Estava morto", lamentou o escritor.
Nas redes sociais, o filho de Ziralzi, André Pinto, escreveu uma mensagem para se despedir do pai. "Meu pai. Pra sempre. Eternamente."
Em nota, a Casa da Moeda do Brasil diz lamentar profundamente a morte do assessor especial da presidência e "se solidariza com a família". "Ziralzi foi um grande exemplo de dedicação ao trabalho nos anos em que esteve na empresa.”
Fonte: G1
Fonte: G1
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Ziraldo - Entrevista Revista Isto É
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| Ziraldo Alves Pinto |
Pintor, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor. Ziraldo Alves Pinto – cujo nome é a combinação do apelido da mãe, Zizinha, com o nome do pai, Geraldo – completa 82 anos em outubro, mas nem de longe lembra um cansado octogenário às vésperas da aposentadoria. “Estou com uma disposição de cão”, diz ele, um dos maiores nomes da literatura infantil brasileira, recordista de vendas de um único título, “O Menino Maluquinho”, lançado em 1980 e com mais de três milhões de cópias vendidas.
Para as crianças, Ziraldo lança agora um livro sobre garotos de rua intitulado “Um Menino Chamado Raddysson e Mais os Meninos de Portinari”. A obra é ilustrada com fragmentos de quadros de Cândido Portinari (1903-1962) e o mural “Jogos Infantis”, também do pintor brasileiro. Ziraldo explica a escolha do nome de seu personagem, um menino que nasceu na barriga da miséria: “Quando a mãe bota um nome desses no filho, ela quer dizer: não quero que meu filho seja um “Zé” qualquer”.
ISTOÉ -
O sr. autografa muito em escolas. Encontra pequenos leitores?
ZIRALDO -
Visito escolas e não vejo crianças com livro na mão. O que vejo é professora mal paga que luta por salário. Não tem ditado na escola fundamental brasileira, não tem mais caderno de caligrafia. Ninguém substitui o dedo pelo botão. A mão vai durar muitos séculos ainda. A letra é fundamental para poder se conectar com o cérebro.
ISTOÉ -
Os livros não são valorizados?
ZIRALDO -
A família brasileira não dá livro de presente, dá CD. As pessoas têm que entender que quando você dá um livro de presente, dá um elogio junto. A sensação de quem recebe um livro é a de que a pessoa que deu confia nele e o acha inteligente. O livro é gênero de primeira necessidade e devia estar na cesta básica. É um alimento para a alma.
ISTOÉ -
Seus personagens sempre foram lúdicos. Por que resolveu escrever sobre meninos de rua?
ZIRALDO -
Há muito tempo queria fazer uma história sobre eles. Mas, para falar sobre criança, você tem que entender profundamente o sentimento do personagem. Os meninos que descrevi nas minhas histórias ou são meninos que eu fui ou com quem convivi. Sei como se sentem, como sofrem, como reagem ao mundo. Agora, como o menino de rua sofre, como é impactado pela vida, como se julga no meio em que está vivendo, eu não sabia. Recorri às minhas lembranças de quatro décadas atrás, quando morava em Copacabana (zona sul carioca) e observava os meninos de rua. Tive certo cuidado para fazer a história, para evitar uma coisa sentimentaloide, de carregar na infelicidade dele. Mas era um menino que eu queria colocar na minha coleção de meninos.
ISTO É -
E por que resolveu ilustrar com obras de Portinari, já que é ilustrador também?
ZIRALDO -
Porque uma das dificuldades que eu tinha era como ilustrar os meninos de rua. Afinal, fazer uma caricatura não ficaria bem. Mas, outro dia, fui ao prédio do Palácio Capanema, no Centro do Rio, e lá tem um mural do Cândido Portinari (1903-1962) que se chama “Jogos Infantis”. O menino é muito presente na obra de Portinari. E nos “Jogos Infantis” está lá o garoto de rua pulando o muro, correndo da polícia. Tudo na visão de Portinari. Aí, acabei achando um caminho para contar a história de um grupo de meninos, em que o personagem principal se chama Raddysson.
ISTOÉ -
Um menino de rua brasileiro com esse nome?
ZIRALDO -
É interessante. Você não encontra nas favelas ou nas periferias nenhuma criança chamada Pedro, Manoel, Antonio, Miguel. Nenhuma menina chamada Rita, Maria. É tudo Wadisson, Kellen, Raddysson, Riverson. Os nomes mais incríveis! E descobri que esses nomes são sinônimos da palavra esperança. Quando a mãe bota um nome desses no filho, ela quer dizer: não quero que meu filho seja um “Zé” qualquer. Os pais não sonham que o filho arrume um emprego. Eles têm um grande sonho: que a filha seja, por exemplo, uma musa do cinema. Daí a batizam de “Maynara Keller”.
ISTOÉ -
Alguma história real o inspirou?
ZIRALDO -
No livro, tem uma menina chamada Rosykeller. Ela se salva porque sabe e gosta de ler. A história da Rosykeller foi pinçada da realidade. É uma menina que está se formando em medicina, em Cuba. Uma ex-menina de rua. Aí inventei a história dessa menina, o que a levou a gostar de ler, quem a ajudou. E essas são as únicas esperanças verdadeiras para essas crianças. Elas só se salvam se forem boas de bola, como o Raddysson, se aparecer alguém que as ajude ou se souberem ler.
ISTOÉ -
O que acha do movimento pela redução da maioridade penal de 18 anos para 16?
ZIRALDO -
A sociedade não consegue proteger a criança. Não está organizada para lidar com o menor, e a saída mais fácil é reduzir a maioridade penal. Por outro lado, a informação que circula na sociedade é a de que o menino de 16 anos pode praticar crime porque é menor. Eles sabem que estão protegidos pela legislação. É um recurso que eles têm. A vida ofereceu para eles isso. É uma situação complexa. Na Inglaterra, quando se comprova que o menino tem discernimento do que é certo e errado, ele é tratado como adulto.
ISTOÉ -
Como chegar bem aos 80 anos?
ZIRALDO -
O segredo é trabalhar. Quando a vida oferece a oportunidade de viver fazendo o que gosta, é muito bom. O meu lazer é ficar aqui desenhando. Tenho tubo de tintas com 40 anos, meus pincéis têm mais de 50. Minha prancheta também tem mais de meio século. Não saio daqui (do estúdio na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio). Fico desenhando e guardando. Tenho uma pilha de desenhos. Mas a passagem do tempo também faz testemunhar a morte de muitos amigos. Uma vez cheguei ao cemitério São João Batista e o funcionário veio com essa: “Seu Ziraldo, o senhor está enterrando é gente, viu”? Todos os meus amigos que fizeram 80 anos antes de mim não chegaram aos 90. Acho que o único que está chegando é o Lan (caricaturista italiano, de 89 anos, radicado no Brasil). Millôr (Fernandes 1923-2012) ficou para trás, Chico Anysio (1931-2012), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), todos já foram. É difícil atravessar essa década, de 80 para 90. E o que vou fazer na vida com 90 anos? Somente ver a descendência se arrumando. Fora isso, é uma chatice. Agora, estou com disposição de cão. Mas não sei se com 90 anos terei essa mesma disposição.
ISTOÉ -
A morte o assusta?
ZIRALDO -
Não. Depois que a minha mulher morreu (Vilma Gontijo Alves Pinto, de infarto, em 2000. Hoje é casado com Márcia, sua prima), perdi completamente o medo de morrer. Nem questionar filosoficamente a morte me ocorre. Não acredito que algum ser humano tenha feito planos para viver até os 80 anos.
ISTOÉ -
O sr. fez planos para viver até que idade?
ZIRALDO -
Até 68 anos, quando entrava no século XXI: “Quero ficar vivo para ver o ano 2000. Isso me basta”, eu dizia. Esse plano era meu e da minha mulher. Mas ela morreu no final do ano 2000. E eu não tinha projeto nenhum para chegar a 2014. Agora, ficamos chocados com a morte de Eduardo Campos (1965-2014). Foi muito comovente a morte do Eduardo porque ele tinha uma cara de anjo, uma cara pura. Todo mundo que conviveu com ele tinha muito boa referência do jeitão doce e conciliador dele. E ele tinha uma coisa bonita: a família grande, cinco filhos.
ISTOÉ -
O que acha da candidatura Marina Silva à presidente em substituição a Campos (PSB)?
ZIRALDO -
Fiquei muito amigo da Marina quando ela apareceu. Sempre foi muito carinhosa comigo. Eu desejo muitas felicidades à Marina. Ela é um dos grandes nomes da nossa história.
ISTOÉ -
Alterou seu voto em função dela?
ZIRALDO -
Não. Sou muito amigo do Aécio Neves (senador, candidato à Presidência pelo PSDB). Era amigo e sofri muito com a morte do avô dele, o Tancredo Neves (1910-1985). Mas outro dia me perguntaram pela presidenta Dilma. Tenho muita admiração por ela, uma moça que chegou à Presidência da República. Ela não está brincando em serviço. Não há nenhuma acusação em que ela tenha usado mal o dinheiro público ou se metido em jogadas desse tipo. Acho que o governo do Lula (2003-2010) e o da Dilma deixaram de fingir que pensavam no povo e pensaram no povo de verdade. Então, eu gosto dessa coisa da Dilma. Eu amo a Dilma!
ISTOÉ -
Mas o sr. está com Dilma ou com Aécio?
ZIRALDO -
Vamos ver o que vai acontecer. Para mim vai ser divertido: se ganhar a Dilma, está bom. Se ganhar o Aécio, está bom. Estou em uma posição ótima. Tenho acesso aos dois. Voto é secreto. Vou ficar na moita. Já participei demais dessas coisas. Tem 50 anos que eu estou assinando manifesto, fazendo passeata, escondendo amigo nos aparelhos, sendo preso. Agora chega. Fui preso três vezes, passei mais de 100 dias na cadeia. Qualquer coisa que acontecia, mandavam prender a mim e ao (jornalista) Paulo Francis (1930-1997).
ISTOÉ -
A Comissão Nacional da Verdade tem ajudado a elucidar crimes desse passado sombrio?
ZIRALDO -
A luta do povo brasileiro avançou muito, mas não penalizamos devidamente os algozes do Brasil. Os argentinos já prenderam, condenaram e a gente fica com essa generosidade que joga contra. A Comissão da Verdade tinha que ter caráter punitivo.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
"Caratinga de Todos os Dons" em Brasília
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| Encontro cultural de caratinguenses em Brasília |
Caratinga de Todos os Dons
Lançamentos dos livros:
A Perigosa Vida dos Pássaros
Míriam Leitão
Ziraldo na Imprensa de Caratinga
José Aylton de Mattos e Nelson Sena Filho
Ninguém Segura Caratinga
Ziraldo, Zélio e mais nove artistas caratinguenses
Não Só Na Lembrança
Clara Arreguy
A Casa da Memória Uterina
Flávio Anselmo
Se Rir Eu Choro
Edra
O Rio da Flor da Mata
Antônio Soares Castor
Apresentação Musical: Calçada do Choro
Local: Feitiço Mineiro, 306 Norte
Data: 23 / 10 13 - A partir das 19 horas
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Ziraldo e seus personagens no Sesc Campinas
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| A obra de Ziraldo no projeto “Lá fora frio, aqui a mil!” |
O universo do escritor Ziraldo embala as férias no Sesc Campinas, que terá uma intensa programação de atividades, a maioria gratuita, no projeto intitulado “Lá fora frio, aqui a mil!”.
De 9 de julho a 4 de agosto, haverá bate-papos, exibição de filmes, contação de histórias, teatro, música, sarau, encontro com escritores, oficinas e vivências relacionadas às obras de Ziraldo. E no feriado de 9 de julho, às 16h, o próprio escritor irá participar de um bate-papo, no qual conversa com grandes e pequenos leitores e fãs.
Reconhecido por adultos e crianças, Ziraldo construiu uma carreira sólida no universo da literatura e da ilustração. Antes de consagrar-se como “pai” do famoso "Menino Maluquinho", o escritor e ilustrador iniciou sua carreira publicando seus trabalhos em revistas e jornais, como O Jornal do Brasil, A Folha De Minas e O Cruzeiro.
Nos anos 60, personagens como Jeremias, o Bom, a Supermãe e o Mineirinho tornaram-se populares. Todavia, os talentos de Ziraldo não se limitam as artes gráficas.
Ao longo de sua carreira também trabalhou como pintor, cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor.
Programação:
09/07 - Encontro com Ziraldo
Chocolate com letras - Bate-papo com o escrito Ziraldo.
Em uma conversa descontraída, o escritor e ilustrador conversa com pequenos e grandes leitores.
Às 16h. Ginásio. Grátis. Retirada de convites com 1h de antecedência. Livre
09/07 - Intervenção - Senhor - Seu Destino
Um dia “Senhor-Seu Destino”, um personagem destinado a traçar a história de vida de pessoas que realizam grandes feitos, se reúne com sua trupe, um trovador e duas atrizes de circo e anuncia o nascimento de Ziraldo! A partir daí, adereços cênicos, mala baú, pequenos bonecos, fantoches e máscaras aliados à música, à poesia e à narrativa dos artistas mambembes contam de forma lúdica a história do grande artista e homem Ziraldo. Núcleo ao Pé de Ouvido.
Às 15h. Ginásio. Grátis. Livre.
09/07 a 04/08 - Leitura - Balaio de Livros
Preparamos para você e sua família, cantinhos especiais e aconchegantes com livros do escritor Ziraldo para você curtir e descobrir o universo mágico do autor.
Terça a sexta, 8h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, 9h30 às 18h. Tablado do Galpão, Espaço Expositivo e Biblioteca. Grátis. Livre.
10 a 20/07 - Esporte e atividade física
Brincadeiras do Menino Maluquinho: Vivências de brincadeiras de rua com a utilização de um simulador de carrinho de rolimã.
Das 10h às 19h. Sábado e domingo, 9h30 às 18h. Jardim do Galpão. Grátis. Livre.
28/07 – Música: A Festa do Ziraldo
Reunindo algumas das mais divertidas canções que foram gravadas em três discos: “A Festa do Menino Maluquinho” e as trilhas sonoras da peça e do filme “ O Menino Maluquinho” o show mistura gêneros, com temas compostos especialmente para a obra de Ziraldo por Milton Nascimento, Herbert Viana, Rita Lee e outros.
Às 11h30. Teatro Sesc. Grátis. Livre. Retirada de convites a partir do dia 1º.
20/07 - Contação de Histórias - A descoberta da cor FLICTS
A história é contada até o momento em que o menino maluquinho encontra a cor FLICTS. A partir daí ele se envolve no drama dessa cor que quer encontrar seu lugar no mundo e os dois saem em busca de um lugar para a cor morar. Com Bruno Brasil.
Sábado, às 14h. Espaço Expositivo. Grátis. Livre.
27/07 - Contação de Histórias - Brincadeiras de meninos na comunidade
O menino maluquinho encontra o Jogador Janaílson que lhe apresenta seus irmãos Mario Wilson e Wandeilson. Todos são jovens, mas têm espírito de criança. Esta contação traz inúmeras brincadeiras do menino maluquinho. Com Bruno Brasil.
Sábado, às 14h. Espaço Expositivo. Grátis. Livre.
09/07 a 04/08 - Poesia do Cotidiano
Instalações de trechos do escritor Ziraldo em vários espaços da unidade.
Terça a sexta das 8h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h. Área de Convivência. Grátis. Livre.
10,
17 e 24 e 31/ 07 - Intervenção - Anedotas do Pasquim
Na década de 70, Ziraldo editou mais de dez livros de piadas com o título de As Anedotas do Pasquim, pela editora Codecri. Algumas dessas piadas estão reunidas neste stand up, sendo também conhecidas por terem sido gravadas em Lp por grandes humoristas da década de 70: Chico Anysio, Ronald Golias e José Vasconcellos, com a participação de Ziraldo, disco produzido por Arnaud Rodrigues e lançado pelo Pasquim, jornal semanário que circulou entre 1969 e 1991. Cia. Espinha de Peixe.
Quartas, às 19h30. Espaço Expositivo. Grátis. 15 anos.
14, 21 e 28/07 - O Mundo Colorido de Ziraldo
Com histórias inspiradas na obra de Ziraldo, contadas pela arte educadora e contadora de histórias Clarice Schcolnic e entremeadas por canções interpretadas por Daniel Teles ao violão. Participação da culinarista Roberta Terumi, que recria com as crianças algumas das receitas do Livro de Receitas do Menino Maluquinho. Provando que é possível atrair a criançada para a culinária, a proposta é criar delicias gustativas tão coloridas quanto os quadrinhos de Ziraldo, como por exemplo, a gelatina em mosaico.
Domingos, às 15h. Espaço Expositivo. Espaço Expositivo. Grátis. Livre.
Móbiles Poéticos - Instalações de trechos do escritor Ziraldo, espalhados pelos espaços do Sesc.
Durante todo o mês. Terça a sexta das 8h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h. Biblioteca. Grátis. Livre.
Histórias em Movimento - Deixar expostas temporariamente, em estruturas abertas, as páginas dos livros de Ziraldo de maneira a instigar a curiosidade de quem passa com trechos da obra de um dos maiores autores de nossa literatura.
Durante todo o mês. Terminal Rodoviário de Campinas.
13/07 - Teatro - Bonequinha de Pano
Primeiro e único texto de Ziraldo escrito especialmente para ser encenado. Com direção de Carlos Arruda e atuação de Zezé Fassina, narra a trajetória da criança ao mundo adulto. A bonequinha Pitucha está há muitos anos esquecida no sótão da casa da vovó e relembra os momentos marcantes da vida da menina Leninha. Às 16h. Teatro Sesc
Entrada: R$ 1,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo, matriculados e seus dependentes), R$ 2,00 (matriculados no Sesc na categoria usuário, maiores de 60 anos, estudantes com carteirinha, professores da rede pública) e R$ 4,00 (demais interessados)
20/07 - Teatro - Planeta Lilás
É a viagem do Bichinho que vive solitário em seu Planeta Lilás Cansado de viver lá, onde tudo é roxo, resolve construir um foguete e conhecer o universo. Nessa viagem, vai descobrindo outros planetas e conhecendo seus habitantes: o Branco, o Preto, as Cores, a Idéia, as Letras, o Ponto Final. Estes são os outros personagens da história. Aí o Bichinho percebe que cada letra é uma estrela e que juntando as letras forma a palavra, uma constelação. Às 16h. Teatro Sesc
Entrada: R$ 1,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo, matriculados e seus dependentes), R$ 2,00 (matriculados no Sesc na categoria usuário, maiores de 60 anos, estudantes com carteirinha, professores da rede pública) e R$ 4,00 (demais interessados)
27/07 - Teatro - Histórias para Cantar
Um grupo se encontra para uma viagem inesquecível, mas não sabe para onde. Mas no decorrer da história, descobre que a viagem é aquela que só o livro pode dar. Baseada na obra de Ziraldo. Com a Cia Boccaccione. Às 16h. Teatro Sesc
Entrada: R$ 1,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo, matriculados e seus dependentes), R$ 2,00 (matriculados no Sesc na categoria usuário, maiores de 60 anos, estudantes com carteirinha, professores da rede pública) e R$ 4,00 (demais interessados)
13, 20 e 27/ 07 - Artes visuais: HQ Instantânea – Oficina de História em Quadrinhos
Por meio de conteúdos teóricos e práticos, esta oficina estimula o hábito da leitura e interpretação de textos, dando subsídios para a elaboração textual e estética de Histórias em Quadrinhos. Com Eder dos Santos e Kadinael Silva. Das 14h às 18h. Sala de Atividades 4
Entrada: R$ 1,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo, matriculados e seus dependentes), R$ 2,00 (matriculados no Sesc na categoria usuário, maiores de 60 anos, estudantes com carteirinha, professores da rede pública) e R$ 4,00 (demais interessados)
Turmas de Inverno 2013 - Os Meninos do Ziraldo
Nas turmas de Inverno, as crianças de 7 a 12 anos participarão de uma programação recheada de histórias, brincadeiras e artes. Mediação da equipe de instrutores do Programa Sesc Curumim. Vagas limitadas.
Inscrições: de 02 a 05/07, das 10h às 20h, na central de atendimento.
Para efetivação da inscrição, o adulto responsável deve comparecer à Central de Atendimento, com dados completos da criança (inclusive com cópia da Certidão de Nascimento ou R.G), para preenchimento da ficha e pagamento da inscrição.
Os interessados deverão se inscrever em uma das turmas:
Turma 1 – de 9 a 12, das 14h às 18h
Turma 2 – de 16 a 19, das 14h às 18h
Ponto de encontro: Ginásio de Esportes
Valores: R$ 4,00, R$ 8,00, R$ 16,00
Ateliêr Pais, Mães & Filhos - Diversos materiais serão reaproveitados para produzir coletivamente objetos de brincar: bola de meia, capucheta, pião e chapéu de jornal. Então, traga sua sucata e venha criar com a gente!
Sábado, às 13h às 15h. Saguão Galpões. Grátis.
Jardim da Diversão
Brincadeiras, brinquedos tradicionais e jogos de mesa para que adultos e crianças possam conviver, interagir e brincar.
Domingos, das 13h30 às 15h30. Jardim Galpão. Grátis. Livre
Espaço de Brincar - No mês de julho, o Espaço de Brincar faz uma homenagem às histórias de Ziraldo, com ambientes aconchegantes que convidam adultos e crianças a inventar, explorar e conhecer histórias por meio dos livros.
Terça a sexta, das 10h às 20h30. Sábados, domingos e feriados das 10h às 17h30. Galpão Espaço Brincar. Grátis.
13, 20 e 27/ 07 - Histórias para Pequeninos
É desde a primeira infância que nos aproximamos e nos encantamos com o universo da leitura e da literatura. Nessa Mediação de Leitura, Lili Flor e Paulo Pixu trazem as referências literárias de Ziraldo, aproximando estas narrativas lúdicas das crianças pequenas e seus familiares.
Sábados, das 10h30 às 11h30. Espaço de Brincar. Grátis. De 4 a 6 anos.
05/07 - Cultura Digital - Editora Antílope: Publicação e Produção Independente de Quadrinhos
A Antílope é uma microeditora independente formada para publicar quadrinhos e trabalhos que orbitem ao redor desta linguagem, incitando a análise e o debate sobre o formato e o tema. Neste encontro, além de um bate-papo sobre produção e publicação independente de revistas, será lançado também o primeiro número da revista Antílope, que conta com artigos, ensaios, entrevistas e histórias em quadrinhos.
Sexta, às 18h30. Sala de Internet Livre. Grátis. Livre
06 e 07/07 -
Editora Antílope: Como Fazer Quadrinhos?
Como ritmar uma história? Qual o melhor enquadramento? Esta cena precisa de diálogos? Aquela cena precisa de imagens? Quantos quadros para esta passagem? Qual o melhor tipo de traço para essa história? E de acabamento? Fazer quadrinhos envolve estas e outras perguntas, que serão abordadas pela equipe da Antílope nesta oficina prática de produção de quadrinhos.
Sábado e domingo, às 14h. Sala de Reuniões. Grátis. 14 anos.
13, 14, 20, 21, 27 e 28/07 - Jogos de Rua
Vivência em jogos de rua com temáticas variadas, como oficina de pipa, campeonato de bolinhas de gude e brincadeira de pião. Uma atividade que envolve e potencializa a criatividade e cooperação, além da união entre pais e filhos.
Sábados e domingos, às 14h. Sala de Atividades 5. Grátis. Livre
Visitas Temáticas - Ziraldo –
Exposição Energia - Durante os finais de semana de Julho, as visitas temáticas terão uma abordagem voltada para o universo infantil, com a participação dos personagens do Ziraldo (turma do Menino Maluquinho) e com a monitoria sendo realizada pela Professora Maluquinha.
Sábados e domingos, 13h e 15h30. Grátis. Livre.
03/08 - Contação de Histórias - Espinha infantil conta Ziraldo
Centrado na tradição oral, o trabalho que a Cia. Espinha de Peixe, contempla influências da música, do circo e dos estilos mais ecléticos da comedia, como o clown e a commedia dell’arte
Sábado, às 14h. Espaço Expositivo. Grátis. Livre.
04/08 - Momentos Poéticos - As brincadeiras maluquinhas de Arlete Ferreira
Mergulhando no universo encantador de Ziraldo, a Arlete Ferreira interage com o público de forma de divertida e inusitada.
Domingo, às 14h. Espaços Expositivo. Grátis. Livre.
04/08 - Pequeno Cidadão
O show reúne amigos que cantam músicas sobre o universo infantil: Edgard Scandurra (ex-Ira!), Taciana Barros (ex-Gang 90) e Antonio Pinto, Daniel Scandurra e Naná Rizinni. A atração promete encantar crianças e adultos com canções que vão do super pop ao rock psicodélico com malabares, acrobacias, coreografias malucas e muita brincadeira.
Às 16h. Quadra Externa. Grátis para comerciário, R$ 2,00 / R$ 4,00.
9, 13, 20 e 27/08 – Literatura: Intervenção
Outro como eu só daqui a mil anos
O Menino Maluquinho é vivido pelo ator e circense Ericson, acompanhado de músicos que entremeiam a performance. Entre as brincadeiras propostas pelo Menino estão as divertidas caretas com variados estados de espíritos, as mágicas habilmente executadas e as 10 respostas preferidas de maluquinho para explicar o por quê do uso de uma panela na cabeça.
Sábados e feriado, às 11h30. Espaços da Unidade. Grátis. Livre
06/08 - Contação de Histórias
A fuga do menino maluquinho
Todos sabem que o maluquinho ama futebol. Após assistir uma emocionante final de campeonato em que o artilheiro Janaílson fez um gol, decide fugir de casa para conhecê-lo. No inicio de sua aventura se deparou com uma grande surpresa: uma cor que nunca tinha visto chamada “flicts”. Começa então o inicio de suas histórias. Com Bruno Brasil.
Às 14h. Biblioteca. Grátis. Livre
Serviço:
Projeto "Lá fora frio, aqui a mil" com Ziraldo
Local: Sesc Campinas. R. Dom José I, 270 / 333,
bairro Bonfim - Campinas.
(19) 3737-1500
Data: de 9 de julho a 4 de agosto
Fonte: assessoria de imprensa
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Ziraldo: Tributo a Caratinga
A FESTA
Digamos que até agora, depois daquele fim de semana mágico que passei na minha terra, eu tenha ficado mudo. Ainda que sem voz, posso dizer que nunca- que eu tenha notícia – vi ninguém receber tanto carinho, tanto afeto e de tanta gente. No meio das festas, eu me perguntava, perplexo, se tudo aquilo estava acontecendo de verdade. E me dizia, como se pudesse dizer a todos que passavam diante de mim, “Menos, gente, menos!”
Estou escrevendo para o meu povo de Caratinga, vocês viram, eu não estou exagerando. Completar esses oitenta anos de vida tem sido, para mim, uma – digamos – avalanche de sensações nunca vividas nesta intensidade. Apenas, agora, foi possível sentar-me à frente da minha velha Olivetti-98 para escrever-lhes estas mal traçadas linhas – que era como se dizia quando parti daí para enfrentar o mundo.
***
Eu me lembro de cada casa do Barro Branco, desde a ponte da
estação até o final da rua São José; desde a praça do jardinzinho com seu sobradão da prefeitura que deu lugar à Rua dos Viajantes e, depois ao Cine Brasil (com sua fachada art deco, tão preservável quanto foi, um dia, o velho coreto do jardim grande, também peça rara da art deco brasileira), até à rua das Ameixas; desde à casa do meu velho tio Esaú, quase embaixo da Pedreira do Silva até à igrejinha de Santo Antônio, pela rua Raul Soares ou pela João Pinheiro do meu ginásio Caratinga.
Vou me lembrar, portanto, de tudo que aconteceu aí naquela manhã
solar de domingo. Vou me lembrar da carinha de cada menina, de cada menino, vestidinhos de azul e branco, me olhando lá do asfalto e, com gestos candentes, me dizendo, em nome de uma cidade inteira: “Oh, como é grande o meu amor por você.”
Sem falar uma só palavra eles me diziam isto em nome de uma cidade inteira. No palanque, chorava todo mundo. No asfalto, também, dava para ver o brilho nos olhos de professoras e professores. Foi assim com todas as escolas que se apresentaram, tudo feito com um cuidado extremo e – não me canso de louvar – com uma criatividade que me encheu de orgulho. O povo de Caratinga é assim: inventa. E isto é a melhor qualidade de um povo. E vieram de longe, crianças de outras plagas que me comoveram pelo olhar, pelo canto, pela cumplicidade. Nunca vi, repito, tanta invenção, tanta criatividade, todo mundo se recusando a comprar
feito, dando pra imaginar a possibilidade de, um dia, adentrarmos –
Caratinga inteira – o Sambódromo do Rio de Janeiro pra disputarmos, com o Paulo Melo, as notas 10 do desfile das Escolas do Grupo Especial.
***
A Marilene – que figuraça! – fez a mais bela festa da minha vida.
Cometeu um errinho, apenas: até agora não me mandou, para que eu possa fazer meus agradecimentos pessoais – como prometeu – os nomes de cada escola, de cada professora, de todas as nossas amigas e amigos que se envolveram, com entusiasmo e dedicação com a festa que ela inventou.
Da mesma maneira, o meu outro anjo da guarda de Caratinga, ainda
não mandou os nomes das amigas que ela “alugou” pra fazer a maravilhosa coleção de pratos – que, no meu tempo, a gente chamava de comidinhas – da minha infância para que eu pudesse encantar meus amigos de fora que estiveram aí para a festa – e que já vieram aqui em casa ou receberam sua parte de carne de lata, de cabrito ensopado, de taioba e dos doces que são os ingredientes daquilo que sempre alimentou a minha alma de provinciano.
Obrigado, Analzira – outra figuraça! – por todo o carinho que você
sabe dar a quem você ama. Além de ser muito bom esse carinho ele faz com que a gente não se esqueça nunca da querida Emi, grande mãe dessa menina maluquinha.
***
Eu me lembro, Marilene, da filha do Geraldo Godinho, indo pra escola toda sorridente e saltitante. Nunca vou me esquecer do seu pai, morenão, caladão, com aquele jeitão de mexicano sem sombrero, uma memória tão viva. Fiquei muito feliz quando descobri que uma das meninas dele, com cara de minha prima, tinha virado escritora e que, como eu, tinha como público, as crianças do Brasil. Você sabe conversar com elas, Marilene! Por esta razão todos ouvem você que, com esse talento, com essa sua imensa criatividade, pode se gabar de dizer para todos que é a maior festeira do mundo. Todos os parentes e amigos meus que foram pra
festa, a turma do Pererê, o Galileu e a Glorinha, o Pedro Vieira e a Cleusa, o Alan Viggiano e a Betty, o Paulo Nogueira e a Lucy, meus velhos amigos e minhas ”cunhadas” não vão esquecer nunca sua imagem comandando a festa lá do alto do palanque. No fundo, dizendo pra você mesma, emocionada: “Nossa mãe! Tudo isto foi eu que inventei?”
Muito obrigado, Marilene, muito obrigado. Eu te amo.
***
E te amo, amo mesmo, Analzira. Vocês duas são diferentes em temperamento mas têm a mesma grandeza interior, a mesma dimensão humana que faz de cada uma de vocês um ser único, muito especial.
Vocês vão virar o tipo inesquecível – olha eu mexendo na minha coleção de Seleções, que deixei em algum armário às margens do rio Caratinga – de todos aqueles que tiveram a felicidade de conhecê-las e de conviver com vocês; de provar da extraordinária determinação e generosidade da Marilene e da dulcíssima “piração” da Analzira.
***
Caratinga é a única cidade de Minas que mantém seu coração aberto para quem sai daí para lutar pela vida em terras estranhas. Cheios de saudade, a gente sabe que pode voltar porque, ao chegar aí, vai ouvir uma voz cantando em seu louvor. E a voz será a do Agnaldo Timóteo, meu irmãozinho da rua Nova, filho do ferreiro Zé Hortêncio.
Como eu era neto do Sêo Hortêncio, também ferreiro, outro mulato
com a pele também colorida pelo vitiligo, as pessoas achavam que éramos primos. Naquele dia feito de sustos, Agnaldo surgiu de repente, na avenida, como quem cai do céu e, com aquela voz poderosa e límpida, cantou para a cidade, para mim e por nossa infância. Depois sumiu, como fazem os anjos que sabem que não devem misturar-se aos mortais depois de cada milagre.
Grande Agnaldo, muito obrigado!
Sei que vou esquecer os nomes de muita gente a quem devo mais
carinho ainda. Bem, vou escrever mais se, corajosamente, continuarem a me dar espaço e mandar meu agradecimento pessoal assim que as minhas meninas – que ainda devem estar cansadas da trabalheira – me mandarem a famosa lista.
Não posso, porém, deixar para depois meu agradecimento ao Edra,
o inventor do Ziraldo. Como diria o Jaguar: “Eu não existo; sou uma invenção da mente doentia do Edra!” Muito obrigado, parceiro, muito obrigado pela fantástica exposição de repercussão nacional que você fez aí e muito obrigado por ter inventado a Casa Ziraldo de Cultura.
Muito obrigado meu compadre Humberto Luiz, sofrendo com o medo da festa não dar certo. Muito obrigado, Prefeito João Bosco pela restauração da estátua do Menino Maluquinho, única no mundo, e por abrir todos os seus espaços para que minha festa acontecesse. Muito obrigado ao Cláudio Leitão, que chorou comigo o tempo todo naquele palanque; muito obrigado, também, à irmãzinha dele, a menina Miriam, que nunca me abandona e que, mesmo sendo a maior jornalista econômica do Brasil, desce dos seus cuidados e, mais uma vez, desfila pra mim como desfilou em São Paulo, cheia de charme e alegria, no carro da Neném de Vila Matilde. Como, aliás, fez uma grande parte do animado povo de Caratinga que voltou mais uma vez à avenida, no último carnaval, para desfilar às 4 da madrugada com os sambistas da Tradição.
Ô, povo animado, meu Deus!
E tem mais: muito obrigado Rinaldo Grossi. Estou vendo na minha
memória, a figura do seu pai, um jovem magrinho e ágil, de cabelo bem partido e bigodinho fino, tão educado quanto o Zé Alencar ou o Wantuil, atendendo as freguesas no balcão do Aparício Costa no Barro Branco. Meu avô o chamava de menino danado, sem imaginar que ele ia acabar prefeito da cidade, o Sêo Dário, simpático e bonachão. Obrigado ao Rinaldo e ao Zé Geraldo por terem nos levado e trazido, sãos e salvos, de volta pra casa, felizes como poucas vezes estivemos em nossas vidas.
***
Aproveito a ocasião para agradecer aos fados e aos anjos que movem a máquina do mundo. E a Deus também que, como nós brasileiros sabemos, é um cara gozador. Tanto que pra me botar no mundo tinha o mundo inteiro mas achou muito engraçado – cheio de graça – me botar feliz na província, bem no interior deste país gigantesco.
Muito obrigado, Chefe, por ter decidido que esta província seria Caratinga.
(Ziraldo)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Nossa Cidade - Ziraldo 80 Anos em Caratinga - Parte I
Programa exibido pela Doctum TV sobre a festa em comemoração dos 80 anos de Ziraldo em Caratinga com depoimentos de pessoas que são ligadas a ele na cidade.
Nossa Cidade - Ziraldo 80 Anos em Caratinga - Parte II
Programa exibido pela Doctum TV sobre a festa em comemoração dos 80 anos de Ziraldo em Caratinga com depoimentos de pessoas que são ligadas a ele na cidade.
Nossa Cidade - Ziraldo 80 Anos em Caratinga - Parte III
Programa exibido pela Doctum TV sobre a festa em comemoração dos 80 anos de Ziraldo em Caratinga com depoimentos de pessoas que são ligadas a ele na cidade.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Ziraldo Comemora 80 Anos
Aniversário.Moradores de Caratinga preparam festa com lançamento de livros para celebrar a data natalícia do cartunista
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Há 80 anos, uma edição do jornal "O Município", da cidade mineira de Caratinga, trazia a seguinte notícia em outubro: "Ziraldo é o nome de um robusto petiz, nascido em 24 do fluente, nesta cidade, filho do nosso prezado amigo e ‘assignante’, o Guarda-Livros Geraldo Alves Pinto e de s. Exma. Esposa d. Zizinha Alves da Silva Pinto. Nossos parabéns."
Hoje, o cartunista comemora o octogésimo aniversário e diz não sentir falta da infância por um motivo simples: "Lembro direitinho como é ser menino, todos os dias, por isso não tenho saudade".
Na cidade mineira da região do Vale do Rio Doce onde Ziraldo cresceu estão os resquícios de personagens e histórias que ele criou. A Professora Muito Maluquinha, por exemplo, foi inspirada em mestres do grupo escolar Princesa Isabel, onde o cartunista estudou. "Em especial uma professora de 16 anos que adorava ler romances, era namoradeira e levava gibis para os alunos", relata.
Já a Turma do Pererê foi batizada com nomes de amigos de Ziraldo da época de criança: Moacir, Geraldinho, Alan, Galileu e muitos outros. Sem falar nos meninos maluquinhos típicos do interior de Minas.
Para comemorar os 80 anos de Ziraldo, os conterrâneos começam as homenagens com a presença dele, no sábado, às 19h, na abertura do 12º Salão Internacional de Humor de Caratinga. A edição especial do evento tem como tema "Ziraldo: ao Mestre com Carinho". Este ano, o cartunista virou cartoon. "Se inscreveram cerca de 500 profissionais. Selecionamos 140 que vão expor caricaturas do Ziraldo", explica o também desenhista Edra, organizador da mostra, realizada na Casa Ziraldo de Cultura.
Na abertura do salão será exibido o DVD "Ziraldo, Profissão Cartunista", de Marta Furtado.
Também está programado o lançamento de cinco livros: "Ziraldo - Maluquices do Maluquinho", de Marilene Godinho; "Pode Ser a Gota D’água", de Edra; "Não Só na Lembrança", de Maria do Carmo Arreguy Corrêa; "Em Família e Outras Histórias", de Cátia Pereira Simões Sena e "O Rio da Flor da Mata", de Antônio Soares Castor.
Já no domingo, às 8h30, um desfile comemorativo, ao longo da Avenida Olegário Maciel, vai contar a história de Ziraldo com a participação de crianças de escolas municipais, estaduais e particulares de Caratinga e municípios vizinhos. Além disso, corais, grupos de dança e demais entidades representativas da cidade participam do evento, que conta com a presença de outro filho ilustre da terra, o cantor Agnaldo Timóteo.
O livro "Ziraldo na Imprensa de Caratinga", de José Aylton de Mattos e Nelson de Sena Filho é outra homenagem ao desenhista. A pesquisa traz as primeiras inserções de Ziraldo na mídia, seja como autor ou notícia, a exemplo da nota que abre esta reportagem.
E outros fatos curiosos, como quando, aos 15 anos, ele foi chamado de "o lápis mágico de Caratinga"; e a atuação dele como líder estudantil. "Adoro voltar a Caratinga.
Sou um provinciano assumido. Desde os 18 anos vivo em cidade grande, mas a minha memória mais intensa é do tempo que vivi no interior", diz.
LAURA GODOY
Especial para O Tempo
Fonte: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=214353,OTE&IdCanal=4
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Ziraldo: 80 Anos de Um Maluco Genial
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| Ziraldo. Foto: Luíz Garrido |
Ziraldo Alves Pinto nasceu em 24 de outubro de 1932, em Caratinga, Minas Gerais. É o mais velho de uma família de sete irmãos. Seu nome vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, com o de seu pai, Geraldo. Assim surgiu o Zi-raldo, um nome único.
Passou a infância em Caratinga, onde cursou o Grupo Escolar Princesa Isabel. Em 1949 foi com o avô para o Rio de Janeiro, onde cursou dois anos no MABE (Moderna Associação de Ensino). Em 1950 voltou para Caratinga para fazer o Tiro de Guerra. Terminou o Científico no Colégio Nossa Senhora das Graças. Em 1957, formou-se em Direito na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
No ano seguinte casou-se com Vilma Gontijo, após sete anos de namoro. Ziraldo tem três filhos - Daniela, Fabrízia e Antônio - e seis netos.
O DESENHISTA - Desenha desde que se entende por gente. Quando criança, desenhava em todos os lugares - na calçada, nas paredes, na sala de aula... Outra de suas paixões desde a infância é a leitura. Lia tudo que lhe caía nas mãos: Monteiro Lobato, Viriato Correa, Clemente Luz (O Mágico), e todas as revistas em quadrinhos da época. Já nesse momento, ao ler as páginas do primeiro "gibi", sentiu que ali estava o seu futuro.
A carreira de Ziraldo começou na revista Era Uma Vez... com colaborações mensais. Em 1954 começou a trabalhar no Jornal A Folha de Minas, com uma página de humor. Por coincidência, foi esse mesmo jornal que publicou, em 1939, o seu primeiro desenho, quando tinha apenas seis anos de idade!
Em 1957, começou a publicar seus trabalhos na revista A Cigarra e, posteriormente, em O Cruzeiro. Em 1963, começou a fazer colaborações para o Jornal do Brasil. Trabalhou ainda nas revistas Visão e Fairplay.
Ziraldo fez cartazes para inúmeros filmes do cinema brasileiro, como Os Fuzis, Os Cafajestes, Selva Trágica, Os Mendigos, etc. Foi no Rio de Janeiro que Ziraldo se consagrou um dos artistas gráficos mais conhecidos e respeitados nacional e internacionalmente.
OUTROS TALENTOS
Entretanto, devido à diversidade de sua obra, não é possível limitá-lo apenas às artes gráficas. É um artista que tem, ao longo dos anos, desenvolvido várias facetas de seu talento. Ziraldo é também pintor, cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor.
Nos anos 60, seus cartuns e charges políticas começaram a aparecer na revista O Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Personagens como Jeremias, o Bom, a Supermãe e, posteriormente, o Mineirinho tornaram-se popularíssimos.
TURMA DO PERERÊ
Foi também na década de 60 que realizou seu sonho infantil: transformou-se num autor de histórias em quadrinhos e publicou a primeira revista brasileira do gênero feita por um só autor, reunindo uma turma chefiada pelo saci-pererê, figura mais importante do imaginário brasileiro.
Os personagens dessa turma eram um pequeno índio e vários animais que formam o universo folclórico brasileiro, como a onça, o jabuti, o tatu, o coelho e a coruja. A Turma do Pererê marcou época na trajetória das histórias em quadrinhos no Brasil.
REGIME MILITAR - Em 1964, com a tomada do poder pelos militares, a revista encerrou sua carreira. Era nacionalista demais para sobreviver àqueles tempos. Entretanto, a força desses persoagens, tão tipicamente brasileiros, resistiu aos difíceis anos da ditadura. Em 1975 voltaram a ser publicados pela Editora Abril. Atualmente as melhores histórias estão sendo reeditadas em álbuns pela Editora Salamandra.
Durante o período da ditadura militar (1964-1984), Ziraldo realizou um trabalho intenso de resistência à repressão. Fundou, junto com outros humoristas, o mais importante jornal não-conformista da história da imprensa brasileira, O Pasquim. Ziraldo o considera um grande celeiro dos humoristas pós-68.
Quando foi editado o AI-5, durante a Revolução Militar, muita gente contrária ao regime procurou se esconder para escapar à prisão. Ziraldo passou a noite ajudando a esconder os amigos e não se preocupou consigo mesmo. No dia seguinte à edição do famigerado ato, foi preso em sua residência e levado para o Forte de Copacabana por ser considerado um elemento perigoso.
RECONHECIMENTO INTERNACIONAL - Em 1968, Ziraldo teve seu talento reconhecido internacionalmente com a publicação de suas produções na revista Graphis, uma espécie de “pantheon” das artes gráficas. Teve ainda trabalhos publicados nas revistas internacionais Penthouse e Private Eye, da Inglaterra, Plexus e Planète, da França, e Mad, dos Estados Unidos.
No ano de 1969, grandes acontecimentos marcaram a vida do artista. Ganhou o Oscar Internacional de Humor no 32.º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e o Merghantealler, prêmio máximo da imprensa livre da América Latina, patrocinado pela Associação Internacional de Imprensa e recebido em Caracas, Venezuela. Foi convidado a desenhar o cartaz anual do Unicef, honra concedida pela primeira vez a um artista latino.
RIO DE JANEIRO - Ziraldo fez um mural para a inauguração do Canecão, casa noturna do Rio de Janeiro, numa parede de mais de cento e oitenta metros quadrados. Essa obra foi reproduzida em várias revistas do mundo, mas se encontra hoje escondida atrás de um painel de madeira.
Foi ainda naquele ano que publicou seu primeiro livro infantil, FLICTS, que relata a história de uma cor que não encontrava seu lugar no mundo. Nesse livro, usou o máximo de cores e o mínimo de palavras.
A embaixada dos Estados Unidos no Brasil presenteou com um exemplar desse livro os astronautas americanos que pisaram na Lua pela primeira vez quando estes visitaram o Brasil. Neil Armstrong, um deles, leu o livro e, comovido, escreveu ao autor: "The moon is FLICTS".
DÉCADA DE 70 - Na década de 70, com seu trabalho já consagrado, continuou abrindo caminhos no Brasil e no mundo. Desde 1972, seus trabalhos são sempre selecionados pela revista Graphis Anual e Graphis Porter.
Diversas revistas internacionais usam seus desenhos em capas, inclusive a Vision, a Playboy e a GQ (Gentlemen’s Quaterly). Seus cartuns percorrem revistas de várias partes do mundo. Alguns de seus desenhos foram selecionados para fazer parte do acervo do Museu da Caricatura de Basiléia, na Suíça.
HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS - A partir de 1979, Ziraldo passou a dedicar mais tempo à sua antiga paixão: escrever histórias para crianças. Nesse ano, publicou O Planeta Lilás, um poema de amor ao livro, em que mostra que ele é maior que o Universo, pois cabe inteirinho dentro de suas páginas.
Em 1980, Ziraldo recebeu sua maior consagração como autor infantil, na Bienal do Livro de São Paulo, com o lançamento de O Menino Maluquinho. Esse livro se transformou no maior sucesso editorial da feira e ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo.
Foi adaptado para o teatro, o cinema e para a web e teve uma versão para ópera infantil, feita pelo maestro Ernani Aguiar. O Menino Maluquinho virou um verdadeiro símbolo do menino nacional. Em 1989, começaram a ser publicadas a revista e as tirinhas em quadrinhos esse personagem.
SELOS - Em 1994, O Menino Maluquinho, o Bichinho da Maçã, a Turma do Pererê e o próprio Saci-Pererê transformaram-se em selos comemorativos de Natal.
Devido a essa homenagem dos Correios e Telégrafos ao artista, sua arte foi espalhada pelos quatro cantos do planeta, com votos de boas festas, feliz Natal e feliz ano novo.
Os livros de Ziraldo já foram traduzidos para várias línguas, entre elas espanhol, italiano, inglês, alemão, francês e basco.
CARNAVAL - Como todo brasileiro, Ziraldo aprecia o carnaval. Foi um dos primeiros a desfilar com a Banda de Ipanema, ao lado de Albino Pinheiro, Leila Diniz e a turma do O Pasquim. Seu livro FLICTS já foi enredo de escola de samba em Juiz de Fora, e Ziraldo desfilou no chão ao lado do filho Antônio.
No carnaval de 1997, Ziraldo foi novamente homenageado. Desfilou no alto de um carro com um enorme Menino Maluquinho, do qual desceu com o auxílio de um guindaste!
TELEVISÃO - Ziraldo também já teve diversas passagens pela televisão. Participou como jurado de inúmeros programas, festivais e até de concurso de Miss Brasil nos anos 60. Foi um entrevistador muito comentado na TV Educativa, com o programa “Ziraldo — o papo”, no início dos 90. Quando entrevistado, tem sempre pontos de vista interessantes a defender.
Foi a personalidade que mais vezes compareceu ao programa “Jô Soares Onze e Meia”. Uma de suas frases mais conhecidas é "Ler é mais importante do que estudar". Outras idéias que ele lançou em entrevistas e que se tornaram quase campanhas públicas foram a de semear jardins de flores nas cidades e a de combater a subnutrição com macarrão vitaminado.
POLÊMICAS - Em 1999, criou, de uma só vez, duas revistas que sacudiram os conceitos do ramo editorial: Bundas e Palavra. Bundas foi uma resposta bem-humorada à ostentação dos “famosos” que semanalmente aparecem na revista Caras. Reuniu grandes escritores, analistas políticos e cartunistas, muitos revelados no O Pasquim.
Ao contrário do que o nome podia sugerir, era uma revista que tratava de assuntos muito sérios, todos ligados ao destino político do país. Por sua vez, Palavra se destinava a divulgar e discutir a arte que se faz longe do eixo Rio—São Paulo, que concentra a maior parte das publicações nacionais do gênero. É uma revista marcada pelo requinte da produção gráfica e pela originalidade do conteúdo.
Por ter criado uma vasta obra na área da literatura infanto-juvenil, Ziraldo foi convidado, em 2000, para montar um parque de diversões temático em Brasília. No Ziramundo, as crianças podem rodar dentro da panela do Menino Maluquinho e subir à Lua com o FLICTS.
Com o fim de Bundas, Ziraldo continuou a articular seus colaboradores para sustentar uma publicação de humor e opinião. Logo no início de 2002, surgiu OPasquim21, um jornal semanal que faz alusão ao histórico O Pasquim e continua a revelar talentos, especialmente na charge política e na caricatura.
CARNAVAL (OUTRA VEZ)
No carnaval de 2003, Ziraldo voltou a ser homenageado por uma escola de samba. A paulistana Nenê de Vila Matilde levou o enredo “É Melhor ler... O Mundo Colorido de um Maluco Genial” e conquistou o 4° lugar. Mais uma vez, Ziraldo subiu num enorme carro alegórico e desfilou emocionado.
O marco dos 70 anos também foi oportunidade para a realização de um documentário sobre sua vida e obra, “Ziraldo, profissão cartunista”, exibido na TV Senac e realizado por Marisa Furtado.
No mesmo ano estreou a ópera “O Menino Maluquinho” no Theatro Central de Juiz de Fora. A ópera foi escrita pelo maestro Ernani Aguiar com libreto de Maria Gessy. Os papéis principais são cantados por dois meninos e uma menina acompanhados por um coro também de crianças.
Em 2004 Ziraldo ganhou, com o livro Flicts, o prêmio internacional Hans Christian Andersen.
ZIRALDO NÃO PÁRA - Sua arte faz parte do nosso cotidiano e pode ser identificada em logotipos famosos; ilustrações de livros e revistas; caixinhas de fósforos, que viraram itens de colecionador; cartazes da Feira da Providência (no Rio) e do Ministério da Educação; centenas de camisetas e símbolos de campanhas públicas ou privadas.
Ziraldo está sempre envolvido em novos projetos.
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